MEMÓRIA LUSÓFONA

Dezembro 16 2010

Poema em Português depois do inglês

The Corte Real Navigators and the Portuguese Poets

The navigator João Vaz Corte Real was a knight in the  Royal House of Portugal. He receive half of the island of Terceira, in the Azores, as a gift because of his discovery of Newfoundland and Nova Scotia in 1472, twenty  years before Columbus came to Central America in 1492. He had three sons:

(1) Vasqueanes Corte Real, who was the eldest.

(2) Miguel Corte Real was was the middle one and who  became the Chief of the Protocol of the Royal House in Lisbon.

(3) And the youngest,  Gaspar Corte Real.

Gaspar Corte Real made a trip to North America in 1500 and returned to Lisbon with about 50 American Indians. In 1501 he made a second voyage but never returned to Portugal. Then,  in May 10, 1502, Miguel Corte Real left Lisbon,  with three ships in search of his brother Gaspar, but he  never returned to Portugal. Two of his other caravels, returned to Lisbon.

Then Vasquenaes wanted to come to America in search of his two brothers but King Manuel  I did not give him  permission  to depart. The King said: "those lands do not deserve anymore  loss of good people". With these historical facts Fernando Pessoa, one of the greatest Portuguese poet,  wrote a poem entitled NIGHT.

Here is the English version. The original poem  in Portuguese appears after this one.

Night
By Fernando Pessoa

One brother’s vessel vanished

From the indefinite sea.

Another asked the King leave,

By faith and custom’s fiat,

To go and seek his brother

Through boundless seas and darkest mist.

 

Time passed. Neither one nor the other

Returned from the deep and distant ocean,

Unknown to the nation on whom

It laid the enigma it had made.

Then a third beseeched the King

To search for both. The King refused.

 

Servants hear him pass

The manor house as if enchained.

And, when seen, a fevered figure

With anguished eyes

Stares bitterly ahead

Into the forbidden blue beyond.

 

Two brothers who share our Name. Lord,

The Power and the Glory,

Both strove in the sea of ages

Toward your agelessness;

And with them went that part of us

Which in spirit  makes heroes possible.

 

From our wretched prison house

We ache to  seek our heroes:

It’s the search for who we are

Far within us; in fevered yearning

We lift our hands to Go.

 

But God forbids our going hence.

 


Os Navegadores Corte Reais e os Poetas Portugueses

O navegador João Vaz Corte Real era Cavaleiro da Casa Real de Portugal.

Ele recebeu metade da ilha da Terceira nos Açores, como prenda pela descoberta da Terra Nova e da Nova Escócia, em 1472, vinte e dois anos antes de Colombo ter vindo para a América Central, em 1492. João Vaz Corte Real teve 3 filhos:

(1) Vasqueanes Corte Real, que era o mais velho.

(2) Miguel Corte Real que era o do meio e chegou a ser Porteiro-Mór da Casa Real em Lisboa.

(3) Gaspar Corte Real, o mais novo, fez a primeira viagem para  a América do Norte em 1500 e regressou a Lisboa com 50 Indios Americanos.

Em 1501 ele fez a  segunda viagem , mas nunca mais voltou a Portugal.

Então em 10 de  Maio de 1502,  Miguel Corte Real  sai de Lisboa com 3 caravelas  à procura dos dois irmãos perdidos, mas também nunca mais regressou a Portugal.

O irmão mais velho,  Vasqueanes  quis partir  para  a América  à procura dos dois irmãos mas o Rei D. Mauel I não autorizou. O Rei disse: "Aquelas terras não merecem que percamos mais gente boa."Com estes dados históricos Fernando  Pessoa, um dos maiores poetas portugueses, escreveu um poema chamadado NOITE.

Aqui está  ele na forma original:

Noite
Por Fernando Pessoa

A nau de um deles tinha-se perdido

No mar indefinido.

O segundo pediu licença ao Rei

De, na fé e na lei

Da descoberta, ir em procura

Do irmão no mar sem fim e a névoa escura.

Tempo foi. Nem primeiro nem segundo

Volveu do fim profundo

Do mar ignoto à Pátria por quem dera

O enigma que fizera.

Então o terceiro a El-Rei rogou

Licença de os buscar, e El-Rei negou.

Como a um cativo, o ouvem a passar

Os servos do solar.

E, quando o vêem, vêem a figura

Da febre e da amargura,

Com fixos  olhos rasos de ânsia

Fitando a proibida azul distância.

Senhor, os dois irmãos do nosso Nome

-O Poder e o Renome –

Ambos se foram pelo mar da idade

À tuda  eternidade;

E com eles de nós se foi

O que faz a alma poder ser de herói

Queremos ir buscá-los, desta vil

Nossa prisão servil:

É  a busca de quem somos, na distância

De nós; e, em febre de ânsia,

A Deus as mãos alçamos.

 

Mas Deus não da licença que partamos.

publicado por Instituto Globilíngua às 13:42
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