MEMÓRIA LUSÓFONA

Dezembro 16 2010

A  Pedra de Dighton não tem sido nenhuma  deusa do amor  tal qual  a  Afrodite (grega) ou  a Venus (romana). Tem exercido, sim, durante séculos, uma atracção fascinante sobre   vários  historiadores, arqueologistas  e até amadores.

Tem sido ofendida fisicamente, danificada na sua face, durante centenas de anos  e até ultrajada com nomes ofensivos como famigerada, misteriosa, mentirosa, etc.

O mais dramático  é que muitos investigadores considerando-se  “sábios”  têm emitido opiniões sobre  as suas inscrições SEM  NUNCA terem  examinado IN LOCO  este monumento!

Isto é a mesma coisa que um médico fazer o diagnóstico duma doença SEM NUNCA ter visto ou examinado o doente! É mesmo para matar! Isso nunca se deve fazer, quando se deseja diagnosticar e tratar cientificamente!

Outra coisa que acontece ainda mais grave é certo número dos chamados historiadores portugueses e americanos  emitirem a suas “doutas” opiniões baseando-se exclusivamente  na face actual da Pedra de Dighton. A FACE ACTUAL  da Pedra de Dighton está cheia de rugas, apanágio duma ‘mulher’ que já passou pela menopausa e já criou vários filhos…Será  correcto pormos de parte toda  sua beleza durante a sua juventude e  de `mulher madura`? Não devemos ser assim cruéis! Devemos ser  pelo menos gentlemen!

Não, não, meus amigos. Para estudarmos  científica e profundamente  a Pedra de Dighton temos que obter uma boa história clínica, como foi a sua juventude  e  a sua adolescência, para compreendermos  completamente o  seu estado actual de ‘mulher’ menopausal e  cheia de rugas…

“The Writing Rock” – antes de 1680

Devemos notar que o primeiro  nome dado à Pedra de Dighton foi “Dighton Writing Rock” ( antes de 1680),  ou seja a “Pedra da Escrita”, como se a sua face plana,  com uma área de 55 pés quadrados,  fosse um quadro  preto numa escola,  onde toda a gente escreveu as suas iniciais  e praticou os mais variados vandalismos...

Até à data ainda NENHUM historiador, melhor NENHUM EPIGRAFISTA  português especializado  nos  séculos XV e XVI  jamais examinou no local a Pedra de Dighton! É confrangedor, para não dizer outra coisa mais lamentável! Mas os  chamados “trutas grandes” em Portugal, como Damião Péres e Luís de Albuquerque  já emitiram as suas “doutas” conclusões. O Albuquerque até chegou a escrever que de Portugal,  (sem nunca ter observado a Pedra de Dighton in loco),  via o seu próprio nome gravado na Pedra de Dighton! O Albuquerque devia ter um lápis muito comprido! Que coisa tão ridícula e tão estúpida! E  têm sido personalidades deste calibre que têm estado a formar as várias gerações de Portugal!

A Juventude da Pedra de Dighton

Para compreendermos bem as inscrições originais da Pedra de Dighton temos que analisar  em pormenor os primeiros desenhos que foram  feitos ANTES   da invenção da fotografia em 1836 (Louis Daguerre) e baseados em decalques directos da face da Pedra de Dighton, sem os seus autores nunca terem pensado nas possibilidades das inscrições originais serem portuguesas.  Portanto nunca  puxaram a brasa à sardinha portuguesa! ….

Cartucho Histórico da Pedra de Dighton

Se tivermos coragem de perguntar aos historiadores de Portugal, ou mesma coisa aos americanos,  quantos é  que conhecem o Cartucho Histórico da Pedra de Dighton, quantas respostas afirmativas é que vamos colher? NENHUMA!

Quem  não souber o Cartucho Histórico da Pedra de Dighton não poderá, de maneira nenhuma, fazer o diagnóstico correcto das respectivas inscrições.

Vamos portanto analisar várias partes da face da Pedra de Dighton  para verificarmos que algumas das  inscrições que eram visíveis e bem claras  há quase quatro séculos,  agora já não são discerníveis devido ao vandalismo que a face da Pedra tem sofrido durante  este longo e secular período!

Primeiro Documento -1680 Se analisarmos o primeiro documento  das inscrições da Pedra de Dighton desenhado  pelo reverendo John Danforth em Outono de 1680  (cujo original está guardado no Museu Britânico em Londres), verificamos, facilmente, que na parte superior da face da Pedra estão desenhadas duas Cruzes da Ordem de Cristo, mostrando nitidamente as extremidades da Cruz da Ordem de Cristo com extremidades em   45 graus!

Desenho de John Bradford -1680 Danforth chamou a estas duas cruzes “navios sem mastros e uma península” para condizer com uma tradição dos Índios Wampanoags da região  “porque tinha vindo uma casa de madeira pelo rio acima”.

Decalque de James Winthrop – 1788.

Cento e oito anos mais tarde, James Winthrop fez um estudo muito mais exacto. Realizou um DECALQUE  das inscrições usando folhas grandes de papel  e depois reproduziu o decalque em escala, num desenho mais pequeno. Neste desenho podemos distinguir uma Cruz da Ordem de Cristo mais completa na parte  superior central das inscrições, mostrando nitidamente uma extremidade em 45 graus.  Do lado norte da Pedra aparece a base de outra Cruz e o chamado “Rosto da Sereia” que são na realidade as Quinas de Portugal.  Do lado do sul da Pedra  começa a desenhar-se o escudo em “V” com outro concêntrico e o braço inferior   de uma outra Cruz de Cristo. Mas James Winthrop não reconheceu nenhum destes símbolos como sendo ícones portugueses.

Baylies e Goodwin- 1790

Dois anos mais tarde, em 1790, Baylies e Goodwin baseados também em decalques oferecem-nos mais detalhes das letras do nome de Migvel Corte Real e do Escudo Português  em forma de um “V”.

Sociedade Histórica de Rhode Island – 1830

Seis anos antes da invenção da fotografia, foi pedido em 1830, à Sociedade Histórica de Rhode Island,  localizada na cidade de  Providence, R. I.  uma  cópia das inscrições da face da Pedra de Dighton para ser enviada para a Dinamarca.  Nesta reprodução foram reveladas as letras M, I  e V , assim como C, O R e parte de T,  do nome Migvel Corte Real  e ainda  o Escudo em foram de “V”.  Mas até esta data nenhum investigador na América ou na Europa relacionou estes símbolos como sendo portugueses.

Delabarre em 1918

Só em 18 de Dezembro de 1918 é  que o Professor Edmund Burke Delabarre, Psicologista e Chefe do Departamento na Universidade de Brown, em Providence, Rhode  Island, quando estava no laboratório   a revelar fotografias,  detectou a data 1511 gravada na Pedra de Dighton. Com esta data começou a procurar na História da Europa  quem é que teria vindo para a América do Norte àvolta de 1511. Principiou  pelos países escandinavos mas finalmente chegou a Portugal onde obteve a informação baseada em Cartas Reais  de que Gaspar e Miguel Corte Real tinham saído de Lisboa em 1501 e 1502 e nenhum jamais  tinha regressado a Portugal.

Delabarre resolveu então rever os VINTE  SETE  desenhos que havia sobre as inscrições da Pedra de Dighton e verificou que vinte um deles mostravam a data 1511 e  por isso escreveu assim: 

“ No dia 2 de Dezembro de 1918 eu distingui claramente e sem sombra de dúvida a data de 1511.  Ninguém a tinha descoberto antes na Pedra ou na fotografia; e no entanto uma vez descoberta, não se pode duvidar mais da sua autêntica presença na Pedra”.

Devemos notar que os antepassados de Delabarre eram descendentes da Bélgica e que ele não tinha uma gota de sangue lusitano. Portanto as suas investigações foram totalmente imparciais.

Delabarre descobriu (1) a data de 1511, (2) o nome de Migvel Corte Real ao centro, (3) o Escudo Português em forma de um “V”, mas apesar de  ter sido condecorado com  a Comenda da Cruz da Ordem de Cristo pelo Governo Português, mesmo com a Cruz de Cristo ao peito,  não foi capaz de descobrir as Cruzes de Cristo gravadas na Pedra de Dighton.

Delabarre hipnotizado pela Pedra

Apesar de Delabarre ser psicologista deixou-se hipnotizar pela Pedra de Dighton, chegando mesmo a inventar uma mensagem em latim  supostamente  gravada na Pedra de Dighton! A hipotética mensagem em latim abreviado era (V. Dei hic Dux Ind  = Voluntate dei hic Indorum) cuja tradução seria = Pela Graça de Deus chefe dos Índios aqui.  Esta menagem em latim tem sido o tendão de Aquiles de Delabarre. Infelizmente esta mensagem continua a ser repetida inúmeras vezes quer pelos escritores americanos,  quer pelos portugueses, geralmente  em notas de rodapé, às quais eu prefiro chamar notas de chulé,  porque continuam a ser usadas pelos macacos de imitação!...

A Pedra de Dighton e Cordeiro de Sousa

O maior epigrafista mundial  foi,  sem dúvida, Jean Champollion, francês,  quando ele descobriu os Cartuchos Históricos de Ptolomeu e Cleópatra e  revelou à humanidade os segredos da escrita antiga dos egípcios.

Em Portugal,  o primeiro epigrafista dos séculos XV e XVI foi Luciano Cordeio, fundador da Sociedade de Geografia de Lisboa e descobridor das inscrições da Pedra de Yelala no Congo, em África.

O Luciano Cordeiro tinha um filho chamado José Maria Cordeiro  de Sousa  que seguiu as pegadas do pai e tornou-se um bom epigrafista dos séculos XV e XVI segundo alguns  estudiosos portugueses  que o conheceram bem.

Eu porque tenho vivido  há 57 anos na América, infelizmente,   nunca tive oportunidade de ler os vários artigos de investigação do Sr. Cordeiro de Sousa. Vim a conhecer o seu nome pela crítica  negativa que fez, repetidas vezes, às inscrições da Pedra de Dighton.  Baseia-se quase exclusivamente na mensagem em latim apresentada pelo Delabarre. Se assim é não posso ter muita consideração pelo Cordeiro de Sousa.   Eu também não concordo com a mensagem em latim mas já disse  porquê! Eu refutei em 1960,  quase há 43 anos, no Primeiro Congresso Internacional dos Descobrimentos na Universidade de Lisboa, as razões porque a mensagem em latim abreviado (V. Dei hic Ind.) não se encontra  gravada  na Pedra de Dighton:

(a) as formas abreviadas são demasiado hipotéticas;

(b) as letras  têm tamanho e formato  inconsistente;

(c)  os navegadores portugueses nunca usaram latim nos marcos dos descobrimentos;

(d) e porque os traços atribuídos ao X e ao N fazem parte dos ângulos da Cruz da Ordem de Cristo que o Professor Delabarre não chegou a descobrir gravada  na Pedra de Dighton.

Para mim é muito fácil concluir que Cordeiro de Sousa NUNCA  reviu os VINTE SETE desenhos das inscrições da Pedra de Dighton ANTES da invenção da fotografia. Em Epigrafia isto é  um comportamento ABSOLUTAMENTE OBRIGATÓRIO!

Quem quiser  fazer o diagnóstico das inscrições originais da Pedra de Dighton, baseando-se apenas naquilo que agora  se  vê na face da Pedra de Dighton, é um incompleto  e não sabe o que está a fazer. Está a enganar-se a si mesmo  e aos outros.  Se é escritor ou professor ainda pior: está a ser maligno, especialmente  para a juventude de Portugal. Isso é ser contra Nação  e contra o Património Português.

Historiadores Açambarcadores

O facto de não termos epigrafistas em Portugal dos séculos XV e XVI explica-se  pela atitude dos chamados professores-historiadores que açambarcam, monopolizam, roubam os espaços e o material aos epigrafistas que por direito lhes pertence. Os historiadores têm medo de perder o tacho e de perder a hegemonia da investigação e do ensino! São como cães agarrados a um osso!  Continuam a servirem-se do material que, repito, pertence realmente aos epigrafistas do séculos  XV e XVI, os períodos mais gloriosos da História de Portugal.

O estudo da  Epigrafia é uma ciência muito mais exacta do que a própria História!   A Epigrafia é a Patologia da Arqueologia! O achado epigráfico é que é a verdadeira prova! O resto é cantiga, é paleio irrelevante!

É por isso que eu nas minhas investigações sobre a Pedra de Dighton tenho usado os mesmos métodos científicos que sempre apliquei na minha prática de Medicina Interna, durante mais de 40 anos! Durante a minha vida médica examinei mais de 300 mil pessoas! A minha profissão tem sido a de um DIAGNOSTICADOR! Fiz mais de um milhão de diagnósticos e muitos entre a vida e a morte! Quantos diagnósticos é que um professor de história fez durante a sua vida profissional?

As maiores descobertas originais de arqueologia e epigrafia têm sido  feitas  por amadores!

Por muito estranho que pareça as maiores descobertas originais da arqueologia e da epigrafia têm sido feitas por amadores e não por professores de história que ensinam nos liceus ou nas universidades! Em Portugal os maiores historiadores foram todos amadores que nunca ensinaram nas escolas:  Oliveira Martins, Almeida Garrett, Alexandre Herculano, Gago Coutinho, etc.  Na América sucede o mesmo!

Cúmulo da velhacaria

No dia 8 de Setembro de 1960, como congressista devidamente credenciado eu apresentei a minha comunicação sobre as inscrições portuguesas da Pedra  de Dighton, no Primeiro Congresso Internacional dos Descobrimentos. O anfiteatro da Aula Magna da Universidade de Lisboa estava repleto, com  mais de dois mil congressistas.

O “Diário de Notícias” de 9 de Setembro de1960, escreveu que eu recebi “a maior salva de palmas do Congresso!” Apesar deste  grande sucesso os directores do referido Congresso, nos sete volumes das Actas do Congresso, eliminaram o meu nome da lista dos congressistas e eliminaram totalmente a minha comunicação ao Congresso! Sem dúvida o maior  gesto de velhacaria que se podia fazer a um congressista devidamente credenciado!

Vejamos o contaste. Na América dois anos depois de eu publicar  em  inglês  (1971)  o meu livro “Portuguese Pilgrims and Dighton Rock”,  uma universidade americana deu-me um “Doutoramento Honoris Causa” pelos  meus estudos como epigrafista da Pedra de Dighton. De Portugal só tenho levado coices dos chamados historiadores!  Mas felizmente quase todos os directores do Primeiro Congresso dos Descobrimentos  já morreram e estão a arder no inferno! Não fazem cá falta nenhuma porque não  deixaram o seu nome numa forma duradoira entre o povo português. É  bem certo  o  que o grande Camões muito bem versou (Canto IV, 33): “Dizei-lhe que também dos Portugueses  alguns traidores houve algumas vezes”.

Conclusão das inscrições portuguesas gravadas na Pedra de Dighton de acordo com as investigações de Delabarre, Fragoso e Da Silva, apresentadas no Primeiro Congresso Internacional da História dos Descobrimentos em 1960:


Bandeira No. 1 – Escudo em forma de "U"

Bandeira No. 2 –Cruz da Ordem de Cristo

Bandeira No. 3 – Escudo em forma de “V”

Ao centro – Nome do Capitão Migvel Corte Real Data de 1S11, com o algarismo 5 em forma de S

Delabarre descobriu: 
(1)   a data 1511, 
(2) o nome do capitão: Miguel Corte Real
(3)  Escudo Português em forma de um “V”.

Fragoso e Da Silva descobriram: as 4  Cruzes da Ordem de Cristo.


 

 

 

 



 

'Navio Escola Sagres', na Baía de Bristol, Rhode Island, em Julho de 1964. Notar as Cruzes da Ordem de Cristo com as extremidades em 45 graus, igualzinhas às que estão gravadas na Pedra de Dighton!

publicado por Instituto Globilíngua às 14:41
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Dezembro 16 2010

A minha homenagem
ao Sr. Anthony Marques

By Manuel Luciano da Silva, Médico
January 18 2003

 

Faleceu no Hospital de Doylestown no Estado de Pensilvânia, a 11 de Janeiro de 2004, com 79 anos, o Sr. Anthony Marques, um dos emigrantes portugueses mais empreendedores dos últimos cinquenta anos, nos Estados Unidos da América.

Nasceu  na pequena vila do Pinheiro da Bemposta, perto de Oliveira de Azeméis, distrito de Aveiro. Deu o primeiro passo de emigrante aos doze anos quando foi para Lisboa. Mas aos 23 atravessou a Atlântico e veio para Warren, Estado de Rhode Island, onde começou a trabalhar de pá e picareta.

Depois deslocou-se para Newark, New Jersey, onde dentro de pouco tempo, com o seu dinamismo começou  a concorrer a empreitadas de construção de pequenas estradas. Mas em poucos anos as suas obras tomaram proporções gigantescas como auto-estradas e até pistas de campos de aviação. Mas o seu forte foi em criar cinco companhias independentes que passaram a especializar-se  na colocação de canos subterrâneos  para a condução de gás, cabos de electricidade e telefones e ainda grandes empresas de controlo da  poluição e tratamentos e águas. As suas companhias que ainda existem são: Lisbon Contractors, Anjos Equipment, Alpha Construction  e Pollution Control.

O Jornal “Luso-Americano” de Newark,  New Jersey, informou que as empresas fundadas por Anthony Marques deram  emprego durante muitos anos  a várias centenas de portugueses. Enquanto na sua vida empresarial activa deu também elevado apoio às actividades comunitárias.

Homem do Ano

O “Luso-Americano” em 1977 considerou ao Sr. Anthony Marques o “Homem do Ano” não só pelos seus grandes empreendimentos como empresário bem sucedido, mas também pelo amor que ele sempre dedicou  às coisas portuguesas e a Portugal.  O Sr. Vasco Jardim, Director do “Luso-Americano”, por saber que eu  tinha muita consideração pelo Sr. Marques pediu-me para eu ser o orador principal. E eu fui com muito gosto. De Bristol, RI  a Newark, N. J.  são  250 milhas!

A demonstração que o Sr. Anthony Marques realmente gostava muito de Portugal está sobejamente demonstrada no facto de ele construir um  belo hotel em Oliveira de Azeméis, com o primeiro restaurante giratório em toda a península Ibérica!

O que eu não contava é que ele viesse a dar  ao novo hotel o nome de “Rock of Dighton”. E porquê?

Em 1971,  eu publiquei o meu  primeiro livro em inglês intitulado “Portuguese Pilgrims and Dighton Rock”. O Sr. Anthony Marques mandou  pedir um livro e eu ofereci-lhe um exemplar. Eu gostou tanto do meu livro que disse à sua secretária para encomendar mais  cinco cópias para poder  oferecer a cada um dos presidentes das cinco companhias que ele tinha criado.  Nunca mandei a conta dos livros ao Sr. Marques. A secretária  chamou-me pelo telefone,  insistiu  para eu enviar  a conta e eu disse-lhe que não mandava conta nenhuma porque tinha muita admiração pelo Sr. Marques. E que os livros eram oferta minha.

Uma semana antes da inauguração do “Hotel Rock of Dighton” o Sr. Anthony Marques convidou-me para eu e minha mulher  irmos a Portugal assistir às  festividades, mas nessa altura,  devido às minhas obrigações profissionais médicas,  foi totalmente impossível irmos a Portugal.

Foi para mim, e para muita gente,  uma grande e  agradável surpresa vir a saber depois da inauguração,  que o Sr. Anthony Marques tinha escolhido  o nome  para o  seu novo e  ultra moderno --  “Hotel Rock of Dighton”--   em honra do meu livro  “Portuguese Pilgrims and Dighton Rock”.  Houve até várias pessoas que pensaram que eu tinha sociedade no “Hotel Rock of Dighton”... O que eu tenho é uma imensa gratidão ao Sr. Anthony Marques por ter honrado  a minha obra de investigação histórica e ligar o significado da Pedra de Dighton com Portugal e duma maneira mais específica a Oliveira de Azeméis.

Ainda mais. Temos em Portugal agora três Réplicas da face da Pedra de Dighton feitas de fibra de vidro construídas pelo meu particular amigo Eduardo Medeiros de Bristol e os seus  co-trabalhadores no grande estaleiro naval da  TPI em Warren, Rhode Island.

A primeira Réplica  está na Praça  junto do Planetário Gulbenkian, aos Jerónimos, a segunda  no Museu de Oliveira de Azeméis, terra em que frequentei Liceu e a terceira está no pátio da  Biblioteca-Museu com o meu nome  em Cavião,  Vale de Cambra.   Esta obra devo-a também a outro Empresário, Sr. Álvaro da Costa Leite  e sua Esposa, por quem  tenho uma profunda amizade e gratidão.

Já tinha convidado o Sr. Anthony Marques para na próxima viagem que fizesse a  Portugal   visitasse a minha Biblioteca Museu e ele aceitou.  Tenho muita pena que a saúde dele não tivesse permitido  que isso acontecesse. Estou convicto que esse acontecimento seria de muita  alegria e emoção mútuas.

Que a sua alma descanse em paz.  O Sr. Anthony  Marques deixou muitas obras de grande envergadura tanto em Portugal como  na América!


publicado por Instituto Globilíngua às 14:40
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Dezembro 16 2010

Homenagem ao primeiro europeu

que pisou Fall River

Por Manuel Estrela

Uma das teorias sobre as inscrições da tão falada famosa Pedra de Dighton, talvez a mais coerente,  é a que se refere às Cruzes da Ordem de Cristo, ao Escudo Português,  à data  de 1511 e ao nome de Miguel Corte Real.

Muita e muita gente acredita que estas inscrições são mesmo portuguesas, e foi um Professor da Brown University, que não era português, o primeiro que as atri­buiu  aos nossos antepassados. Até o deputado do Partido  Socialista à  Assembleia da República, Dr. Manuel Alegre, escreveu poesia sobre o importante monumento.

Outros estão no seu direito de não acreditar... mas a realidade é que ninguém, em boa verdade e com  recta intenção,  pode “julgar” a Pedra sem a ver, sem  a apalpar, pois corre  o risco de imitar os papagaios...

Vem isto a propósito da sugestão do Sr. Dr. Manuel Luciano da Silva de dar o nome de Miguel Corte Real à  nova ponte de Fall River, que vai ligar esta cidade à  vila de Somerset, precisamente para homenagear o homem de “pele pálida,” que alegadamente pisou terre­nos que mais tarde seriam  parte de Fall River ou subiu  Rio Taunton, à  procura do irmão.

Sabe-se que esta sugestão vai encontrar muitos e muitos adeptos, mas também, obviamente, contestação, como acontece com Cristovão Colon e com tantas faça­nhas históricas.

De qualquer rnaneira, a Ponte Miguel Corte Real seria acima de tudo uma (mais uma) honra para Portu­gal e para todos os portugueses.

Não será fácil, sabemos, mas unidos podemos  vencer mais este desafio.

Tudo seria mais fácil, em todos os sentidos, se Angra do Heroísmo, tão ciosa do seu passado histórico, se livrasse de alguns complexos, semeados por quem, com receios de perder algum prestígio a favor de amadores, como se isso fosse uma raridade no mundo das descobertas históricas, tivesse manifestado interesse pela Pedra de Dighton, tão relacionada com a Terceira, a fazer fé nas suas inscrições.

Existe em Angra do Heroísmo um local chamado “Largo Migvel (com o v em vez do u) Corte Real,” que poderia receber também, com o orgulho terceirense, uma réplica da Pedra de Dighton, ou no Jardim dos Corte Real. É  que a teoria portuguesa da Pedra de Dighton torna mais famoso o navegador Miguel Corte Real, que foi porteiro-mor de D. Manuel I, um cargo importante.

Se as inscrições são falsas, talvez nem se justifique tal Largo na cidade açoriana Património Mundial. É que há um  jardim para todos os Corte Real e um Largo só para o Miguel...

Pelo menos os terceirenses e todos os portugueses interessados aqui radicados poderiam influenciar ou até mesmo provocar encontros com o fim de esclarecimento. Por exemplo convidando historiadores e investigadores a visitarem a Pedra com o Dr. Manuel Luciano da Silva.

Estamo-nos a lembrar dos Amigos da Terceira... que poderiam juntar mais esta causa nobre a tantas outras já  realizadas nesta comunidade, a favor da História dos Estados Unidos e de Portugal, porque a Pedra, como diz o Dr. Silva é  um monumento americano, relacionado com Portugal.

publicado por Instituto Globilíngua às 14:39
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Dezembro 16 2010

O  RETRATO DE MIGUEL CORTE REAL

Por Manuel Luciano da Silva, Médico

Todas as honras desta grande descoberta vão direitinhas para o Doutor Américo da Costa Ramalho, Professor da Universidade de Coimbra e especialista em Cultura Helénica e Humanista,  em Portugal.

Foi  este académico  que descobriu  um  elogio em latim, contemporâneo de Miguel Corte Real, escrito pelo poeta  italiano Cataldo Sículo,  que residia temporariamente em Lisboa   e  foi publicado na colectânea POEMATA, em 1502.

Nunca  ninguém tinha analisado este poema em relação ao navegador Miguel Corte Real. Logo  no começo da sua monografia  o Professor Costa Ramalho alerta-nos:

"Não há dúvida nenhuma de que se trata do famoso Miguel Corte Real e traz, pelo menos,  um subsídio  histórico para  sua biografia, até hoje não aproveitado."

O poema consta de quarenta  e quatro versos dedicado a "michaele curie regalis " ou seja a Miguel Corte Real. Vamos rever a tradução  do referido poema feita pelo Professor Ramalho: O título do poema é como acima se disse --  "Dedicado a Miguel Corte Real".

Nos primeiros versos o poeta expressa a sua "humildade poética" mas ao mesmo tempo  revela bem claro o nome do protagonista como sendo  descendente dos famosos Corte Reais.

Diz o poema:

"Foge-me o talento e a eloquência, apodera-se  de mim o terror, quando tento  dizer os feitos de tão grande capitão".

"É aquele que tem o nome do príncipe celeste  dos cavaleiros e a quem os antepassados legaram o apelido de Corte Real."

"Tudo quanto faz é digno de triunfos, digno de ser posto em tábua de cedro."

"Avô e bisavô o tornaram nobre pelo sangue. E ele os adorava em todas as virtudes."

"Ele tudo realiza, segundo o pensamento de quem lho ordena (o Rei)."

"Cavaleiro ilustre, ora actua como soldado, ora veste armas ligeiras. Em qualquer caso, a sua presença significa victória."

RETRATO FÍSICO E CARACTER

E agora vêm os versos que nos dão em pormenor a aparência, o retrato físico e o carácter do famoso navegador Miguel Corte Real:

"É amável com pessoas amáveis, brando com brandos amigos, mas com os arrogantes torna-se bastante ríspido."

"Não aprendeu  as belas letras na infância, mas ensinado pelo seu talento tudo sabe."

"De aspecto, é sereno e belo, e mais belo é o seu íntimo. Da sua boca eloquente jorra uma graça variada".

"Gosta de dar muito, com mão larga, a quem o merece e piedosamente se esforça  por não prejudicar  a quem o não merece".

PORTEIRO-MOR

Qual era a posição oficial de Miguel Corte Real?

É Cataldo Sículo que nos informa:

"Talvez queiras saber qual é o ofício deste Senhor?

"O Rei confia-lhe todos os encargos. Principalmente como porteiro-mor do palácio  sobre as muralhas, é ele quem, no meio do silêncio geral, manda trazer os alimentos."

"A este homem tão leal confia D. Manuel com razão os seus segredos, tão grande é a virtude que nele reside, tão grande a honra."

GUERREIRO

E agora vem a parte  guerreira de Miguel Corte Real  que era totalmente desconhecida:

"Passou às costas africanas em navios. Era o comandante. Preparava-se para aí conquistar uma fortaleza, pondo-lhe cerco".

"Fosse inveja, fosse o fado iníquo, a multidão dos companheiros  entrega-se a vergonhosa fuga, sob a pressão do inimigo".

"Ele com uma pequena força , faz frente aos africanos que se precipitam ao ataque e retira coberto de sangue, depois de grande morticínio."

E o poeta  Cataldo conclui  o seu poema comparando o  heroísmo de Miguel Corte Real aos heróis da Antiga Grécia.

O Professor Costa Ramalho faz uma análise pormenorizada dos vários dados revelados  neste poema. Explica a origem do nome Corte Real que foi dado à Vasco Eanes, um dos antepassados de Miguel,  pelos grandes serviços prestados à Corte Real presidida pelo Rei D. Duarte.

Confirma a posição de porteiro-mor da Casa Real,  portanto uma das posições mais altas na Corte Portuguesa.

Explica que o verso que diz que Miguel Corte Real "Não aprendeu as belas letras na infância", isso não quer dizer que o navegador era analfabeto!   Quere  dizer, sim,  que  Miguel Corte Real não sabia Latim.  E o Professor Costa Ramalho acrescenta que isto é muito importante para darmos razão ao facto de Miguel Corte Real não ter deixado nenhuma mensagem em latim gravada na Pedra de Dighton. Esta conclusão  é  igual à que afirmei no meu livro "Portuguese Pilgrims and Dighton Rock" publicado em 1971 e esgotado desde 1976.

Infelizmente  a mensagem  que o  psicólogo-historiador,  Prof. Delabarre da Universidade de Brown,  sugeriu   em 1928 de que Miguel Corte Real tinha deixado na Pedra de Dighton   uma mensagem em latim = "V(oluntate) Dei Hic Dux Ind(orum)", significando: " Chefe dos Indios aqui",  é uma FANTASIA  que continua a ser repetida em muitas notas de rodapé,  que na realidade são aquilo a que eu chamo "notas de chulé"!

Outra análise importante do  poema de Cataldo é o facto de ficarmos a saber que  Miguel Corte Real também foi guerreiro nas campanhas de Norte Africa.   Isto é muito importante para explicar a assinatura duma carta dele em 1501 dirigida ao Rei D. Manuel, que o próprio historiador Henry Harrisse teve dificuldade em entender porque não tinha dados que explicassem que Miguel Corte Real jamais tinha estado em  Málaga,  Espanha,  no ano antes de partir para a América do Norte, em 10 de Maio de  1502,  à procura do irmão Gaspar Corte Real que não tinha regressado a Lisboa  da sua segunda viagem  em 1501.

TEORIA PORTUGUESA DA PEDRA DE DIGHTON

O Professor Costa Ramalho conclui o seu trabalho desta maneira:

 

"Durante anos, a teoria prevalecente foi  a do psicólogo, tornado historiador, Professor Edmund Burke Delabarre, que ,  descobriu o  nome de Miguel Corte Real,  o Escudo Português e a data de 1511. Posteriormente  (1951), um professor universitário de Português, José Dâmaso Fragoso, (na "New York University), revelou a existência de heráldica lusa no rochedo - três cruzes da Ordem de Cristo. E um médico de origem portuguesa, estabelecido nos Estados Unidos, o Dr. Manuel Luciano da Silva, tem sido o ardente propagandista da teoria de que o rochedo de Dighton é um documento histórico da presença de Miguel Corte Real  nas costas da América do Norte. Ele nega a mensagem em latim, reduzindo o texto da inscrição ao nome do navegador  e a uma data, 1511, além de um Escudo  Português e três Cruzes da Ordem de Cristo."

Fez, no dia 18 de Dezembro de 1998,  OITENTA ANOS  anos que o Professor Delabarre lançou a teoria portuguesa das inscrições  portuguesas  gravadas na Pedra de  Dighton.  Durante estas oito décadas TODAS  as investigações  só têm servido para consolidarem  cada vez mais a Teoria Portuguesa da Pedra de Dighton.

Claro que fiquei satisfeito com este artigo original do Professor Costa Ramalho que chegou a ser "Visiting Professor"  de Português na "New York University",   entre 1959-1962.   Naquele tempo eu já era médico. Mas a "New York University"  foi a minha primeira "alma matter",  onde eu  me formei em biologia em 1952.

Devemos realçar ainda mais a importância da  investigação  original do Professor Ramalho pelo facto de ser  BASEADA   na  ANÁLISE DUM DOCUMENTO CONTEMPORÂNEO DE MIGUEL CORTE REAL.  Parabéns,  ao ilustre Mestre!

publicado por Instituto Globilíngua às 14:37
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Dezembro 16 2010

A Pedra de Dighton também é imigrante!

Por Manuel Luciano da Silva, Médico

 

Se o planeta Terra está a  aquecer a Pedra de Dighton dá-nos o alerta  como devemos proceder para evitarmos a destruição da humanidade!

O Cabo dos Bacalhaus nasceu há dez mil anos com as enchurradas gigantescas  glaciais que fizeram a Pedra de Dighton rolar até ao rio Taunton!

 

Aos domingos de tarde tenho por hábito ir até ao Museu  da Pedra de Dighton. Da minha casa em Bristol, Rhode Island, ao Parque Estadual, são apenas  vinte milhas  ou sejam 32 quilómetros. É um passeio agradável ao longo da Baía de Narraganset, a qual é dez por cento maior do que o Estuário do Tejo, em Lisboa.

 

Sempre que chego ao Museu, encontro lá luso-americanos -- às vezes às dezenas – que me têm dado a oportunidade de lhes explicar os novos painéis, os artifactos histórico-marítimos e artísticos que fazem parte do recheio do museu. A seguir entramos no Pavilhão – iluminado a meia luz – que contém a Pedra de Dighton dentro de uma vitrine octagonal. Depois de lhes apontar, na face da Pedra, as inscrições gravadas em 1511 por Miguel Corte Real e os símbolos nacionais portugueses, concluo a minha exposição, afirmando que a Pedra de Dighton também é, como nós, IMIGRANTE!

 

Três razões

(1)               Foi no dia 22 de Maio de 1972, que o Professor Bruno Giletti, Chefe do Departametno de Ciências Geológicas da Universidade de Brown, em Providence, Rhode Island, ao examinar comigo, in loco, a Pedra de Dighton  afirmou: “Pelas marcas de cama desta pedra verificamos que a Pedra de Dighton está de pernas para o ar!”

Há muitos pedregulhos ou blocos na Nova Inglaterra que rolaram  grandes distâncias empurrados por avalanches gigantescas  de gelo, ou glaciares, durante o Período Quartenário Glaciar que existiu há um milhão de anos! E a Pedra de Dighton, apesar das suas quarenta  toneladas, também teve que rolar perante força tão gigante! E quem sabe?  Poderia ter rolado até muitas centenas de milhas antes de parar na margem esquerda do Rio Taunton, vinda do Canadá. Foi assim que se formou também todo o Cabo dos Bacalhaus, à custa da enchurrada gacial, há dez mil anos!

(2)               Outra prova geológica evidente de que a Pedra de Dighton realmente rolou é verificarmos que as arestas ou cantos da Pedra apresentam-se polidos e arredodados devido à grande viagem...

(3)                Outra razão demonstrativa de que a Pedra de Dighton é imigrante, faz-se pela análise da sua composição geológica. A Pedra de Dighton é diferente  das outras pedras que existem nas margens  do Delta da Baía de Narraganset e que se deixam corroer  pelas águas das marés devido à sua composição xistosa. Ao contrário, a Pedra de Dighton é formada por granito muito rico em quartzo, mineral composto por  sílica, tornando-se assim resistente ao clima excessivo da Nova Inglaterra e aos efeitos nocivos das marés.

Se a  Pedra de Dighton -- que até 1963 esteve  mergulhada vinte horas por dia, entre a corrente pre-mar e da baixa-mar – tem composição diferente  das pedras circumvizinhas, é porque  emigrou, transportada  como grande bloco errático, e  parou de rolar na margem do Rio Taunton, arrastada  pelos grandes galciares da América do Norte.

Idades do gelo

 

Todos nós sabemos que tanto o polo norte (Ártico) como o polo sul (Antártico) estão cobertos de gelo com uma espessura incrível de mais de três quilómetros!

 

Há dez  mil anos a carapuça de gelo, ou calote glacial, no hemisféiro norte cobria todo o Canadá e os Estados Unidos até ao nível da cidade de Nova Iorque! Na Europa os glaciares ou camadas de gelo, cobriam todo o norte da Europa, a Inglaterra, a Europa Central, a França, Espanha e Portugal até ao nível  da cidade de Lisboa, e a metade setentrional de toda a Russia!

Exemplos convincente, do derreter do gelo há dez mila anos,  são os pedregulhos ou blocos enormes que existem na Alemanha vindos da Finlândia. Quem visitar  o norte de Portugal fica espantado com a abundância de rochedos enormes colocados no cimo dos cabeços dos montes na Serra do Marão ou nas Serras da Beira Alta. Quem os pôs lá?  As avalanches glaciares há dez mil anos!  A Serra de Estrela – a mais alta de Portugal, com dois quilómetros de altura – possue um grande vale – Vale Glacial --formado pelo deslocamento de gigantes massas de gelo  apenas há dez mil anos!

Períodos Glaciares

Os geologistas, ou cientistas que  estudam a terra, calculam que  ela já passou por  cerca de trinta Períodos Glaciares, ou de gelo, e cada um durou centenas de milhões de anos! Os Períoos Glaciares mais importantes -- existiram há 600 milhões de anos (Paleozóico); 250 milhões (Mezóico) – foi neste período que se deu o extermínio dos dinossauros – e o mais recente (Pleistoceno) que começou há um milhão  e quinhentos mil anos  e que durou até aproximadamente dez mil anos!

 

Durante as  épocas de glaciação  a água evaporada dos oceanos foi-se acumulando nas zonas frias em  forma de gelo, originando  uma DESCIDA do nível dos mares cerca  de 200 metros!

 

Todos os cientistas estão de acordo que teve de haver arrefecimentos  da atmosfera para originar as épocas de glaciação da terra. Qualquer  que seja as causas  elas devem ter interferido  com a chegada dos raios  solares  à terra.  Uns dizem que os  fenómenos  de arrefecimento se devem: (1) variações da actividade  solar;   (2) poeiras cósmicas; (3)  percentagem de gas carbónico e vapor de água na atmosfera.

 

Mas uma das teorias mais plausíveis foi aquela apresentada por Benjamim Franklin que diz que as erupções dos vulcões lançam muitos milhões de toneladas de cinzas para a atmosfera, criando uma nuvem gigantesca  e espessa àvolta da terra que durou muitos anos interferindo com os raios do sol e portano a terra arrefeceu o suficiente para originar os  períodos de glaciação.

 

Está a terra a aquecer?

Se está a aquecer,  estamos mal amanhados! A Humanidade  inteira  vai começar a rolar como aconteceu à Pedra de Dighton há dez mil anos!

 

Hoje a calote gelada da Gronelândi já  está a originar  avalanches que lançam no Mar do Norte icebergs, montanhas de gelo, que são um constante perigo para a navegação marítima.

 

Será este fenómeno é um sinal de que a terra está  de novo a aquecer? Se isso é  verdade os calotes de gelo que existem nos polos norte e sul  se se derreterem,  o nível dos oceanos àvolta do mundo SUBIRÁ  duzentos metros e isso quer dizer que todas as grandes cidades do mundo vão ficar submersas!!!

 

Quer dizer  também que a Pedra de Dighton no Estado de Massachusets, a  réplica em Lisboa (Belém)  e a réplica em  Oliveira de  Azeméis vão também ficar de baixo de água...  A única que ficará  fora da  água será a Réplica que está agora no pátio  da minha Biblioteca-Museu em Cavião, Vale de  Cambra, porque está a uma altitude de quinhentos  metros acima do nível  actual do  Oceano Atlântico!

 

Emigrantes e Imigrantes

O nosso povo confunde muitas vezes os termos emigrante  com e, e o imigrante com i. É muito fácil:  emigrante com e  é derivado da palavra ex + migrante. Ex quer dizer para fora. Portanto, nós quando saímos de Portugal, somos emigrantes com e.  Quando entramos nos Estados  Unidos  somos imigrantes com i porque a palava é  composta por  in + migrantes,  querendo  dizer que migramos  para  dentro.

Em 1511, quando Miguel Corte Real gravou as suas inscrições  na Pedra de Dighton, já a Pedra estaria coberta tantas horas diariamente pelas águas da marés? Julgo que sim! E ainda bem, pois foram as águas das marés que evitaram as inscrições   de serem destruidas  completamente pelos vandalismos humanos.

 

A Pedra de Dighton Imigrante – como nós imigrantes neste país -- tem passado  por muitas intempérides. Tem sido insultada, ultrajada com toda a espécie  de nomes derrogatórios, apedrejada, enlameada pelos esgotos – até lhe chegaram a urinar em cima ! – mas, resistiu com uma força indomável de imigrante  e hoje está colocada dentro de uma redoma de vidro! A Pedra de Digthon não é mais uma pedra qualquer. Agora é uma pedra preciosa!

Nós imigrantes, que vivemos no epicentro da Pedra de Dighton, temos também rolado muito, apanhado inúmeros trambolhões e por isso não somos  uns homens quaisquer. Pelo contrário, com a nossa experiência dura e glacial de imigrantes, sem receio absolutametne nenhum,  podemos afirmar forte e valentemente:  SOMOS MUITO MAIS HOMENS!

 

publicado por Instituto Globilíngua às 14:36
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Dezembro 16 2010

Missa a Cavalo!
Por Manuel Luciano da Silva, Médico

 

Foi no primeiro de Março de 1160,  que Dom Gualdim  Pais, Grão-Mestre da Ordem dos Templários Portugueses, iniciou a construção do oratório principal, ou Charola de Tomar.

A Ordem dos Templários ajudou e continuou a ajudar muito o Primeiro Rei de Portugal não só na defesa mas também na conquista ao mouros.  Por isso o D. Afonso Henriques  doou grandes extensões de terreno e castelos aos Templários desde o Mondego até ao Tejo.

Além das armas e do manto branco com a Cruz Vermelha  dos Templários, uma das partes fundamentais da armadura dos  Templários era o cavalo.

“Se o cavalo  morria ao cavaleiro e este não podia obter outro, a Ordem comprometia-se a fornecer-lho ou a dispensá-lo até que ele pudesse adquirir um,  sem perda de categoria e honra para o Cavaleiro”.

Outro aspecto fundamental  do funcionamento dos Templários era montarem um cavalo,  em pares ou parelha, como podemos observar claramente no Emblema da Ordem.

Emblema da Ordem de Cristo

SIGILLUM   MILITVM  XPISTI 
Sinal Militar de Cristo

(Hoje observamos os automóveis policiais  com dois polícias  a fazer as suas patrulhas nas vila ou cidades...)

Por causa deste rito cavalar da Ordem dos Templários e  depois da  Ordem de Cristo , -- dois  cavaleiros montados no mesmo cavalo -- os cavaleiros  assistiam  à  missa montados e contíguos à   Charola.

Devemos notar que naquela época  as estruturas  dos outros edifícios à volta da Charola  ainda não existiam, como escadarias, etc.

Agora compreendemos porque é que os oitos arcos da Charola são tão altos.  Para permitirem aos Cavaleiros verem muito bem  o oratório da Charola e  também os santos colocados nos altares  entre os arcos da Charola.

Os Cavaleiros assistiam à missa a cavalo para estarem  sempre "em pé de guerra" pela ameaça  constante dos mouros.

Hoje a América continua  "em pé de guerra"  por causa da ameaça dos mouros...

Parece que em mais de 500 anos NADA  mudou no que diz respeito o mundo árabe  estar  a atacar e ameaçar o mundo cristão --> católico e protestante, no Mundo Ocidental!

 

Dos Templários para a Ordem de Cristo

Em 1312,  o Rei de França, Filipe o Belo, por meio de uma conspiração acabou com a Ordem dos Templários em França e conseguiu convencer o Papa Clemente V  a terminar com todos os Templários em toda a Europa  por meio da publicação da Bula ‘Regrans in Coelis’, em 1314.

Mas em Portugal,  o Rei D. Dinis,  com uma manobra diplomática, conseguiu convencer o Papa João XXII,   por meio da Bula ‘Ad ea Exquibis’ de 14 de Marco de 1319,   a transformar a Ordem dos Templários em Ordem de Cristo, mantendo os mesmos cavaleiros e os mesmos terrenos, mudando apenas a sede da Ordem de Tomar para Castro Marim,  no Algarve, para assim estarem mais perto dos mouros  que continuavam ainda localizados no sul da Espanha,  em Granada e evitar que eles reconquistassem Portugal.

Mas em 1356 a Ordem de Cristo voltou à casa mãe à ao Convento de Tomar.

De todas as negociações entre os Reis de Portugal e os vários Papas  resultou a vantagem  dos mestres das Ordens Portuguesas serem nomeados pelo Papa, dando o mestrado a membros da Família Real. O primeiro a receber este título foi o Infante D. Henrique como Governador e Administrador da Ordem de Cristo.

O Infante D. Henrique chegou mesmo  a construir, anexo  ao Convento  Tomar,  uma moradia palacial, da qual podemos ver ainda  hoje as  suas ruínas.

Foi dos cofres da  rica Ordem de Cristo que o Infante D. Henrique  tirou os dinheiros para custear as despesas dos Descobrimentos  e  para manter a sua Escola de Navegação, em Sagres.  Embora a Escola de Navegação fosse o próprio Infante D. Henrique, -- onde ele estivesse, estava a Escola --  à semelhança das Escolas Filosóficas   de Platão e de Aristóteles – o certo é que  o Infante veio  a morrer  perto  da Escola de Sagres, em 1460!

E ainda  hoje há infelizes em Portugal, que se dizem historiadores, afirmando  que não houve nenhuma Escola de Sagres!  Estes indivíduos  têm vivido, toda a vida,  à custa do erário português, mas aprece-me que são anti-patriotas.  Devem ser  mas é ateus e  comunistas!  Mas o comunismo já foi  há muito tempo pela retrete  abaixo!...

Devemos notar também que a Ordem de Cristo,  durante o comando do Infante D. Henrique,  tornou-se a Organização Militar  Religiosa mais poderosa do Reino de Portugal, tornado-se ao mesmo tempo muito querida dos Papas por  os Cavaleiros da Ordem de Cristo, tornados  Navegadores  espalharem  a Fé Cristã, na missão das Cruzadas do Ocidente.

 

Panorama Geral das Cruzadas do Oriente – Terra Santa

-- Primeira Cruzada – 1095 --  resultou na conquista de Jerusalém, ou Terra Santa.

-- As outras Cruzadas não foram realmente bem sucedidas e Jerusalém foi reconquistadas pelos árabes.

 

Panoramas Geral das Cruzadas do Ocidente --- Descobrimentos Portugueses para dilatar a Fé e o Império.

-- Antes da independência  de Portugal em 1139,  já os Templários  estavam em Braga.

Em 1147 -- com a conquista de Lisboa,  para o Afonso Henriques,   é  que os Templários Portugueses  realmente realizaram a primeira Cruzada do Ocidente.

  • Depois a expansão do Império Português com a dilatação a fé através da África e pelas ilhas do Atlântico.

  • O Papado começou a prestar muito mais atenção às Cruzadas do Ocidente porque eram muito mais prometedoras do que as Cruzadas do Oriente. Disto resultou um melhor entendimento entre os Reis de Portugal e o Papado.

publicado por Instituto Globilíngua às 13:45
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Dezembro 16 2010

Miguel Corte Real Plaza

In my speech at the banquet of the Holy Ghost Feast of New England, I stated that I already asked the Holy  Ghost to perform a miracle and name the new bridge between Fall River  and Somerset "Miguel Corte Real Bridge",  because he was the first European to come up the Taunton River, in 1502, and  he was also the first Azorian to come to Fall River.

Mr. Manuel Estrela,  a staff writer for  the Portuguese Journal --'' O Jornal''--  from Fall River, sent  me this  photo that  he took in Angra do Heroismo,  in his recent trip to  the Island of Terceira.

Here it is with my thanks to Mr. Estrela.

Please note the "U" of Miguel, is  written like a "V", the way it was written five centuries ago and the way it appears engraved on the face of the Dighton Rock.

publicado por Instituto Globilíngua às 13:45
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Dezembro 16 2010

Poema em Português depois do inglês

The Corte Real Navigators and the Portuguese Poets

The navigator João Vaz Corte Real was a knight in the  Royal House of Portugal. He receive half of the island of Terceira, in the Azores, as a gift because of his discovery of Newfoundland and Nova Scotia in 1472, twenty  years before Columbus came to Central America in 1492. He had three sons:

(1) Vasqueanes Corte Real, who was the eldest.

(2) Miguel Corte Real was was the middle one and who  became the Chief of the Protocol of the Royal House in Lisbon.

(3) And the youngest,  Gaspar Corte Real.

Gaspar Corte Real made a trip to North America in 1500 and returned to Lisbon with about 50 American Indians. In 1501 he made a second voyage but never returned to Portugal. Then,  in May 10, 1502, Miguel Corte Real left Lisbon,  with three ships in search of his brother Gaspar, but he  never returned to Portugal. Two of his other caravels, returned to Lisbon.

Then Vasquenaes wanted to come to America in search of his two brothers but King Manuel  I did not give him  permission  to depart. The King said: "those lands do not deserve anymore  loss of good people". With these historical facts Fernando Pessoa, one of the greatest Portuguese poet,  wrote a poem entitled NIGHT.

Here is the English version. The original poem  in Portuguese appears after this one.

Night
By Fernando Pessoa

One brother’s vessel vanished

From the indefinite sea.

Another asked the King leave,

By faith and custom’s fiat,

To go and seek his brother

Through boundless seas and darkest mist.

 

Time passed. Neither one nor the other

Returned from the deep and distant ocean,

Unknown to the nation on whom

It laid the enigma it had made.

Then a third beseeched the King

To search for both. The King refused.

 

Servants hear him pass

The manor house as if enchained.

And, when seen, a fevered figure

With anguished eyes

Stares bitterly ahead

Into the forbidden blue beyond.

 

Two brothers who share our Name. Lord,

The Power and the Glory,

Both strove in the sea of ages

Toward your agelessness;

And with them went that part of us

Which in spirit  makes heroes possible.

 

From our wretched prison house

We ache to  seek our heroes:

It’s the search for who we are

Far within us; in fevered yearning

We lift our hands to Go.

 

But God forbids our going hence.

 


Os Navegadores Corte Reais e os Poetas Portugueses

O navegador João Vaz Corte Real era Cavaleiro da Casa Real de Portugal.

Ele recebeu metade da ilha da Terceira nos Açores, como prenda pela descoberta da Terra Nova e da Nova Escócia, em 1472, vinte e dois anos antes de Colombo ter vindo para a América Central, em 1492. João Vaz Corte Real teve 3 filhos:

(1) Vasqueanes Corte Real, que era o mais velho.

(2) Miguel Corte Real que era o do meio e chegou a ser Porteiro-Mór da Casa Real em Lisboa.

(3) Gaspar Corte Real, o mais novo, fez a primeira viagem para  a América do Norte em 1500 e regressou a Lisboa com 50 Indios Americanos.

Em 1501 ele fez a  segunda viagem , mas nunca mais voltou a Portugal.

Então em 10 de  Maio de 1502,  Miguel Corte Real  sai de Lisboa com 3 caravelas  à procura dos dois irmãos perdidos, mas também nunca mais regressou a Portugal.

O irmão mais velho,  Vasqueanes  quis partir  para  a América  à procura dos dois irmãos mas o Rei D. Mauel I não autorizou. O Rei disse: "Aquelas terras não merecem que percamos mais gente boa."Com estes dados históricos Fernando  Pessoa, um dos maiores poetas portugueses, escreveu um poema chamadado NOITE.

Aqui está  ele na forma original:

Noite
Por Fernando Pessoa

A nau de um deles tinha-se perdido

No mar indefinido.

O segundo pediu licença ao Rei

De, na fé e na lei

Da descoberta, ir em procura

Do irmão no mar sem fim e a névoa escura.

Tempo foi. Nem primeiro nem segundo

Volveu do fim profundo

Do mar ignoto à Pátria por quem dera

O enigma que fizera.

Então o terceiro a El-Rei rogou

Licença de os buscar, e El-Rei negou.

Como a um cativo, o ouvem a passar

Os servos do solar.

E, quando o vêem, vêem a figura

Da febre e da amargura,

Com fixos  olhos rasos de ânsia

Fitando a proibida azul distância.

Senhor, os dois irmãos do nosso Nome

-O Poder e o Renome –

Ambos se foram pelo mar da idade

À tuda  eternidade;

E com eles de nós se foi

O que faz a alma poder ser de herói

Queremos ir buscá-los, desta vil

Nossa prisão servil:

É  a busca de quem somos, na distância

De nós; e, em febre de ânsia,

A Deus as mãos alçamos.

 

Mas Deus não da licença que partamos.

publicado por Instituto Globilíngua às 13:42
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Dezembro 16 2010

O Banco Espírito Santo patrocinou com $2,800 
a construção duma vitrine especial para o Museu.

Aqui está a carta que enviamos, em nome da Academia do Bacalhau da Nova Inglaterra, ao Presidente do Banco Espírito Santo,  em Lisboa, Portugal.

Apresentamos, aqui pela primeira vez ao grande público mundial, as fotografias coloridas  quando o Dr. António Gato, Director Geral das seis sucursais do Banco Espírito Santo  nos  Estados Unidos da América  e  do Sr. Afonso da Silva, vice Presidente e Director das  Delegações do Bando Espírito  Santo em East Providence, Rhode  Island  e em  New Bedford, Massachusetts, quando visitaram o Museu da Pedra de Dighton para apreciar  a beleza da vitrine patrocinada pelo seu  Banco Espírito Santo de Lisboa.

Aqui expressamos os nossos sinceros agradecimentos ao Presidente do Banco Espírito Santo, Dr. José Manuel Espírito Santo  e aos seus delegados nos Estados Unidos, pela magnífica dádiva.

 

 


The New England Academy of Codfish, Inc
Academia do Bacalhau da Nova Inglaterra, Inc
Alvará obtido em 3 de Julho de 2000 = Incorporated on July 3rd, 2000
16 Brooks Farm Drive, Bristol,  Rhode Island, 02809-2717, U. S. A
Tel. & Fax (401) 253-5326
http://www.academyofcodfish.com E-mail  drlucianodasilva@apol.net
Website   http://www.apol.net/dightonrock/
Manuel Luciano da Silva, President
Frederico Pacheco, Vice-President; 
Afonso da Silva, Treasurer
Silvia Jorge da Silva,  Secretary
Deodete Pacheco Assistant Secretary
Maria de Lurdes da Silva, Assistant-Treasurer.

 

17 de Março de 2003

Exmo. Senhor Dr. José Manuel Espírito Santo

Presidente da Administração do Banco Espírito Santo

Avenida da Liberdade, 195

1250-142  Lisboa

Portugal

Caro Senhor Presidente:

Vimos por este meio apresentar a Vossa Excelência uma proposta para patrocinar a feitura duma mesa-vitrine (diorama) para preservar e expor ao público visitante,  o modelo da Caravela “Victória” capitaneada pelo famoso navegador português,  Fernão de  Magalhães, na primeira viagem de circumnavegação entre 1519-1522.  Este modelo foi oferta pessoal do actual Rei de Espanha,  Don Juan Carlos, ao Museu da Pedra de Dighton, localizado no epicentro da Comunidade Portuguesa da Nova Inglaterra,  em Berkley, (50 milhas ao sul de Boston), Estado de Massachusetts, Estados Unidos da América.

Junto incluímos a proposta  apresentada pelo artista  marceneiro,  José Silva,   no total de dois mil e oitocentos dólares, incluindo a madeira de  mogno do Brasil, o trabalho artístico e os vidros inquebráveis.

Para melhor esclarecimento do nosso pedido enviamos a  Vossa Excelência  fotografias do Parque e  do Museu da Pedra de Dighton.  Incluímos igualmente fotos dos outros artefactos, como sendo o modelo da “Nau São Gabriel”,  capitaneada por  Vasco da Gama, na primeira viagem à Índia em 1497, dádiva do Museu de Marinha  em Lisboa e ainda o Padrão dos Descobrimentos, de mármore, oferta da Fundação Gulbenkian, em Lisboa.

Junto também um exemplar do meu livro  “Os Pioneiros Portugueses e  Pedra de Dighton”, esgotado desde 1978”,  que trata de toda a história e significado das inscrições originais gravadas na Pedra de Dighton.  Adiciono também um exemplar da revista internacional, edição americana da    “National Geographic Magazine”, Volume 147, No.1, January 1975. Este número teve uma tiragem de onze milhões de cópias. Chamamos atenção de Vossa Excelência para a página  98 que mostra uma fotografia da face da Pedra de Dighton obtida com a técnica de luz razante.

Se o nosso pedido for aprovado por  Vossa Excelência o seu  cheque de $2,800 dólares deve ser feito em nome da Academia do Bacalhau da Nova Inglaterra, porque a nossa organização  está incorporada neste Estado,  como não-lucrativa.

O crédito que daremos ao Banco Espírito Santo será  colocarmos dentro do diorama uma placa   a informar os visitantes do Museu que a mesa-vitrine  foi custeada pelo vosso banco.  Faremos também  um programa especial  de televisão com a duração de  30 minutos,  que eu produzo  e modero semanalmente no Canal Português de New Bedford, intitulado  “Tribuna Médica”  e que continua a ser o mais popular entre os portugueses desta região.

No  programa especial, de trinta minutos, na série semanal da rádio em Fall River,   ao vivo,   intitulado “Perguntar ao Médico”, falarei do Banco Espírito Santo e da vossa oferta.

Além disso vamos preparar  artigos  com fotografias  da mesa-vitrine que  enviaremos para os jornais luso-americanos  tais como “Luso-Americano” de Newark, New Jersey, e o “O Jornal”  de Fall River, o “Portuguese Times” de New Bedford,  e ainda a  revista “Mundo Português” de Nova Iorque,  informando a vossa oferta.

Termino, muito grato pela atenção de Vossa Excelência, formulando sinceros votos para que o nosso pedido seja aprovado.

Com os melhores cumprimentos, subscrevo-me,

Muito Respeitosamente,

Manuel Luciano da Silva, Médico

Presidente da Academia do Bacalhau da Nova Inglaterra

Anexos:

(1)   Biografia do Dr. Luciano da Silva

(2)   Dez  fotografias coloridas de 8.5 x 11 polegadas

(3)   Um exemplar do livro “Os pioneiros Portugueses e a Pedra de Dighton”

(4)   Um exemplar da Revista “National Geographic Magazine, Vol. 147, No.1, 1975

(5)   Cópia do folheto em português e em inglês  que é dado aos  visitantes do Museu.

(6)   Pagela colorida  com motivos históricos luso-americanos

P. S. Já existem 3 Réplicas  da Pedra de Dighton em Portugal:

A primeira em Belém na Praça do Planetário Gulbenkian.

A segunda no Museu de Oliveira de Azeméis

A terceira em Cavião, Vale de Cambra,  no pátio da minha Biblioteca-Museu.   

Sr. Afonso da Silva e Dr. António Gato em frente ao Museu da Pedra de Dighton

publicado por Instituto Globilíngua às 13:40
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Dezembro 16 2010

A Pedra de Dighton na Televisão Mundial
Por  Manuel Luciano da Silva, Médico

Finalmente, a mundialmente famosa Pedra de Dighton vai ser apresentada na Televisão Mundial! Vai  fazer parte de um documentário de televisão da série produzida pela  Televisão Paladin Invision de  Londres, Inglaterra

Esta série de documentários envolve filmagens em  quinze países incluindo os Estados Unidos, Índia, China, Indonésia, Inglaterra, as Caraíbas, Bimini, Guadalupe, Oman, Malásia, Indonésia, Austrália, Nova  Zelândia, Veneza, Itália e até Portugal.

Esta série na televisão foi instigada pelo livro “1421- Ano em que a China  Descobriu a  América” escrito por Gavin Menzies, capitão reformado dum submarino inglês. Este autor juntamente  com as suas duas casas publicitárias (Transworld na Grã-Bretanha e Harper Collins nos Estados Unidos)  criaram um tão grande entusiasmo  de publicidade que o livro tem tido vendas fantásticas não só na Inglaterra, mas também na Europa e  muito  mais nos Estados Unidos da América. O autor já tem planeado a apresentação da edição brochada no próximo mês de Outubro na Inglaterra e nos Estados Unidos em Janeiro de 2004.

Devido aos lucros das vendas deste livro duas companhias de televisão inglesas resolveram juntar-se  e  decidiram produzir uma série de documentários para provar ou refutar a hipótese dos chineses terem  ou não descoberto a América em 1421, isto é,  antes de Cristóvão Colon ter nascido.

A Televisão  Paladin Invision  é uma nova sociedade formada entre as duas mais famosas televisões  britânicas, muito respeitadas internacionalmente devido aos  seus excelentes documentários.  A fusão deu-se entre William Cran da Invision Productions e Clive Syddall da Paladin Pictures. Ambas as televisões  sendo especialistas em co-produções transatlânticas, já realizaram  mais de quinhentos programas dedicados a assuntos históricos, sobre arte, religião e  actividades actuais internacionais.  Os seus programas têm sido realizados em várias partes do globo e também vendidos por todo o mundo  e têm recebidos vários prémios internacionais.

Se consultarmos a página na Internet  do autor Menzies  www.1421.tv seremos informados de que em doze meses ele já recebeu mais de dezoito mil e-mails e cartas  a louvar e a criticar a sua hipótese dos chineses  terem descoberto  a América.

Recentemente o Sr. Menzies disse que  “escreveu o  livro para estimular mais discussão e pesquisa  a respeito da descoberta da América.”. Eu penso que ele já  conseguiu originar  muita discussão sobre este  assunto.  Pela parte que me toca, eu estou-lhe muito agradecido porque o sucesso dele causou  o nascimento duma nova série de programas de televisão onde eu vou ter oportunidade de apresentar para a audiência mundial, como contraponto,  a epopeia dos  grandes  descobrimentos portugueses nos séculos XV e XVI.

A minha refutação à descoberta Chinesa da América.

Há mais de cinquenta anos que eu me tenho vindo a interessar sobre notícias relacionadas com os descobrimentos. Tem sido o meu passa tempo favorito ou  a “minha amante”.  Por isso quando soube que o Capitão  Gavin Menzies tinha feito uma conferência  na Sociedade Geográfica Real em Londres, na Inglaterra,  na Primavera de 2002, defendendo a hipótese de que os chineses descobriram a América antes de  1421, fiz todos os esforços  para obter uma cópia do  vídeo da mesma apresentação. E consegui.  Assim ao ouvir a palestra  do Sr.  Menzies constatei logo que ele não mostrava nenhuns dados  concretos  históricos  que garantissem a veracidade da sua hipótese. Resolvi então refutar as alegações fantasiosas do autor inglês e escrevi um artigo intitulado:  “A Descoberta da América pelos Chineses em 1421 é uma grande mentira!” e  coloquei-o  na minha página na Internet

Revendo o livro-- “1421 - Ano em que a China descobriu a America”-- verifiquei logo TRÊS GRANDES ERROS:

(1) O Sr. Menzies usou a Carta Náutica de 1424 como base para a formular a sua hipótese  chinesa, mas admite que este mapa é genuinamente  português. O Sr. Menzies FALSIFICOU   a Carta Náutica de 1424 para condizer com a sua preconcebida hipótese dos chineses terem descoberta a América.  E afirmou no seu livro o seguinte: “Depois de passar vários meses a examinar cartas marítimas e documentos  em vários arquivos e bibliotecas, convenci-me de que as ilhas  Antilha e Satanazes  (desenhadas na Carta Náutica de 1424),  representavam na realidade as ilhas de Porto Rico e Guadalupe nas Caraíbas.  Com esta frase o Sr. Menzies comete um suicídio histórico!  Veja  na Internet a refutação minuciosa que fiz às afirmações do Sr. Menzies no  meu artigo: “A Descoberta da América pelos chineses  em 1421 é uma grande mentira!”  ou na  minha  website www.apol.net/dightonrock/

(2)    Ele escreve também no seu livro que a Torre de Newport, em Rhode Island, foi construída pelos marinheiros chineses, quando na realidade NÃO EXISTE NENHUM CASTELO NEM NENHUMA IGREJA  REDONDA NA CHINA! É óbvio que  Menzies nunca ouvir falar da Charola de Tomar!

(3)   Mas ele ainda tem maior  atrevimento em  escrever no seu livro  de que os marinheiros chineses gravaram  as inscrições originais  na Pedra de Dighton, sem ele NUNCA  ter examinado no LOCAL a Pedra de Dighton! Não existem NENHUNS caracteres hieroglíficos chineses gravados na Pedra de Dighton.

O Poder Mágico da Internet

Os produtores da Televisão  Paladin Invision  começaram a procurar na Internet artigos a louvar ou a criticar o livro do Menzies e esbarraram com o meu artigo:  “A Descoberta da América pelos Chineses em 1421 é uma grande mentira”! Chamaram-me pelo telefone e comunicamos por e-mails para eu lhes dar uma entrevista.

A Primeira entrevista  realizou-se em Portugal,  dentro da Biblioteca com o meu nome, em Cavião, Vale de Cambra, no norte de Portugal. Foi no dia 18 de Maio de 2003 que o  Director David Wallace foi, de Londres, Inglaterra, propositadamente  a Portugal para me entrevistar sobre a minha descoberta original das latitudes da Carta Náutica de 1424 e também explicar os erros que  Menzies cometeu no seu livro e apresentar a minha refutação à hipótese de que os chineses descobriram América. Aqui está a fotografia  tirada por minha mulher na ocasião dessa entrevista.

 

Fig. No.1- Dr. Luciano da Silva ao ser filmado  pelo  
Director David Wallace da  Televisão Paladin Invision.

A  Segunda entrevista realizou-se no dia 15 de Agosto de 2003, dentro do pavilhão do Museu da Pedra de Dighton, em Berkley, Massachusetts, 60 quilómetros ao sul de Boston, Estados Unidos da América.

A equipa da Televisão Paladin Invision era composta por: (1) Técnico de Câmara, Peter Harvey;  (2) Controle do Som, Neil Laycock (3) Director, David Wallace   and (4) Productora, Lucy van Beek.

Eles filmaram as inscrições  portuguesas  gravadas na face da Pedra de Dighton, enquanto eu usava a luz tangencial juntamente com os íconos dos símbolos nacionais portugueses para comparação.  Demonstrei claramente  para eles, que estavam gravados na pedra: (1) a data 1511; (2) o nome de Miguel Corte Real; (3) símbolos nacionais portugueses e ainda (4) a  Cruz da Ordem de Cristo.

A terceira entrevista realizou-se, no mesmo dia, mas fora do Museu, sentados a uma  mesa de piquenique e com a ajuda de fotografias coloridas fiz a comparação da Torre de Newport,  redonda,  octogonal e  com oito arcos, com as características arquitectónicas da  Charola de Tomar, também redonda e octogonal  e com oito arcos.

Salientei que o Convento de Tomar era a sede da Ordem da Cruz de  Cristo à qual TODOS os navegadores eram obrigados a pertencer. Expliquei também a história dos navegadores Corte Reais assim como os conhecimentos náuticos e cientifícos da Escola de Navegação de Sagres fundada pelo Infante D. Henrique em 1418. E salientei a importância dos portugueses usarem a Caravela capaz de navegar contra os ventos nos altos mares devido às suas velas latinas ou triangulares.  Realcei a importância dos portugueses serem os primeiros europeus a descobrir o curso dos ventos dominantes  no Atlântico Norte (no sentido dos ponteiros do relógio)  e no Atlântico Sul  (contra os ponteiros do relógio.

Fiquei satisfeito como as três entrevistas  decorreram e espero  que sejam mostradas  ao público mundial na sua totalidade.

 

Fig. No. 2 – Dr. Luciano da Silva  ao ser entrevistado pelo Director David Wallace no Parque da Pedra de Dighton  estando  a Produtora Lucy van Beek a observar atentamente.

O Sr. Menzies veio visitar pela primeira vez a Pedra de Dighton.

 

Fig . No. 3 – O Sr. Menzies a ler a  o panfleto informativo em frente 
da entrada do Museu da Pedra de Dighton  na sua primeira visita!

Embora o Sr. Menzies tenha escrito no seu livro sobre as inscrições da Pedra de Dighton ele NUNCA  tinha visto ANTES  a Pedra de Dighton LOCALMENTE

Ele veio ao Museu,  pela PRIMEIRA VEZ, no Sábado 16 de Agosto de 2003, para ser entrevistado em frente à Pedra de Dighton para  a Televisão Paladin Invision sobre a sua hipótese dos  marinheiros chineses terem gravado as inscrições na Pedra  de Dighton.

Eu não presenciei a entrevista do Sr. Menzies porque a Produtora  da Televisão  pediu-me para eu não assistir  e eu respeitei o seu pedido. Portanto tenho que esperar, que o programa vá para o ar,  para ver e ouvir quais foram as alegações fantasiosas que o  Sr. Menzies usou.

O Sr. Menzies ainda teve ocasião de examinar todo o conteúdo do Museu da Pedra de Dighton e registou o seu louvor no livro de honra dos visitantes. Aqui está a observação que ele fez com a sua assinatura.

 

Fig. No. 4 – Assinatura do Menzies com o seu louvor a respeito da exposição dentro do Museu da Pedra de Dighton “16 Aug. 03 Gavin Menzies . www.1421.tvy Very well presented” (Muito bem apresentada!)

Quando ele terminou a sua entrevista para a televisão eu cumprimentei  o Sr. Menzies fora do Museu. Apertamos a  mão e ele disse-me logo: “Este é uma panorama fantástico. É a primeira vez que eu venho aqui. Estou encantado! Esta brisa quente é típica durante o Verão?” E eu disse: “Sim,  Sr. E ele continuou: “Gostaria de navegar o meu barco à vela por este rio acima!”

A nossa conversa não foi além disto. Entretanto os quatro membros da equipa de televisão da Paladin Invision já tinham começado a apanhar todo o material  técnico e colocá-lo dentro dos dois carros  que tinham alugado,  para seguirem para a cidade de Boston a 60 quilómetros ao norte, porque no dia seguinte teriam que partir às 6:30 da manhã de avião para Guadalupe nas Caraíbas e  continuarem com as suas filmagens.

Fotografia Histórica

O meu bom amigo e mestre da minha página na Internet, Stanley Ulbrych, foi comigo nos dois dias das entrevistas e quis  colher uma foto da equipa inteira  da Paladin Invision em frente do Museu da Pedra de Dighton. Chamou para fazer parte da fotografia os 4 elementos da televisão e convidou também o Sr. Menzies e a mim. Conseguiu assim obter uma fotografia histórica que vai ficar para  posteridade!

 

Fig. No. 5 – Fotografia Histórica  tirada a 16 de Agosto de, 2003. Da esquerda, Neil Laycock (Som), da Austrália; Peter Harvey, (Técnico de Câmara ) da Inglaterra; Gavin Menzies (autor) da Inglaterra; David  Wallace (Director) da Escócia); Lucy van Beek (Productora ) da Inglaterra  e  Dr. Luciano da Silva, de  Bristol, Rhode Island , E. U. A.

A Productora Lucy van Beek  disse-nos que a série completa deve  ir para o ar na próxima Primavera.  Vai ser mostrada no mundo inteiro, começando  pelo mundo de língua inglesa.

Estou satisfeito  e muito contente por ter participado nesta série e muito grato  aos técnicos que  participaram na feitura  das minhas entrevistas. Infelizmente até à data ainda nenhuma televisão americana, portuguesa ou brasileira teve a coragem de realizar nenhum documentário  sobre  significado  histórico  da Pedra de Dighton.

Fiquei muito impressionado com a elevada qualidade de profissionalismo de toda a equipa da Paladin Invision. É obvio que todos eles querem registar a VERDADE  e informar correctamente os telespectadores.  Depois será a AUDIÊNCIA MUNDIAL  que decidirá  quem  tem razão.  Esta é uma atitude que  muitíssimo me agrada!

Os meus agradecimentos aos Oficiais do Estado.

Quero expressar aqui publicamente os meus sinceros agradecimentos aos Oficias do Parque Estadual da Pedra de Dighton pela  eficiente cooperação que prestaram  para que tudo corresse bem durante a estadia da equipa de Televisão Paladin Invision.

Desde 1977 que o painel de Plexiglas, em frente à face da Pedra de Dighton, NUNCA tinha sido removido. Mas o Sr. John  Roberts, Director do Museu da Pedra de Dighton,  resolveu com determinação removê-lo para permitir maior espaço de acção ao  fotógrafo da Paladin Invision. E conseguiu a operação com sucesso colocando o painel novamente  no seu lugar!

Os meus agradecimentos são também extensivos  ao Sr. Tim Mello, Sr. Steven Bates e  Jamie Pacheco.  A equipa da Inglaterra ficou satisfeita  pela maneira  como foram recebidos pelo pessoal da Pedra de Dighton  que correspondeu aos desejos deles. Trabalho bem feito. Bem hajam pela  vossa ajuda.


Fig. No. 6 – John Roberts, Director do Parque Estadual da Pedra de Dighton  
removendo o painel de Plexiglas em frente à face da Pedra.

publicado por Instituto Globilíngua às 13:38
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