MEMÓRIA LUSÓFONA

Dezembro 08 2011
INSTRUÇÕES PARA LER O LIVRO VIRTUAL 1- PARA VIRAR AS PÁGINAS CLIQUE NAS SETAS DA BARRA SUPERIOR: PARA DIREITA OU PARA A ESQUERDA. OU CLIQUE NO CANTO INFERIOR OU SUPERIOR DIREITO DA PÁGINA DO LIVRO. 2- PARA AMPLIAR O LIVRO CLIQUE NO ÚLTIMO QUADRADO DA BARRA 3- PARA SAIR DO LIVRO CLIQUE NA TECLA ESC DO TECLADO DE SEU COMPUTADOR.

publicado por Instituto Globilíngua às 12:48
 O que é? |  O que é? | favorito

Setembro 22 2011

publicado por Instituto Globilíngua às 16:44
 O que é? |  O que é? | favorito

Junho 04 2011

Criticar obra sem ler é fascista, diz Haddad sobre livro didático

Ministro da Educação ataca críticos de livro que afirma que é possível falar fora da norma culta

Fonte: Folha de São Paulo (SP)

 

Criticar uma obra sem ler é uma postura "fascista", disse ontem o ministro Fernando Haddad (Educação) ao comentar críticas ao livro "Por uma Vida Melhor".

Distribuída pelo Ministério da Educação a 4.236 escolas de Educação de jovens e adultos, a obra causou polêmica ao dizer que, em determinados contextos, é possível falar fora da norma culta.

Trecho sobre a diferença da linguagem oral e escrita diz: "Você pode estar se perguntando: "Mas eu posso falar os livro?". Claro que pode. Mas fique atento porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico".

 

CERTO X ERRADO
Os defensores da obra dizem que não há "certo" e "errado" em linguística, mas sim "adequado" ou "inadequado" ao contexto: em entrevista de emprego, o correto seria usar a norma culta, mas isso não necessariamente aconteceria em uma conversa informal.

Já os críticos defendem que a escola ensine apenas a norma culta, essencial para o aluno ascender socialmente.

 

STÁLIN
Durante audiência na Comissão de Educação do Senado, ontem, Álvaro Dias (PSDB-PR) questionou o ministro sobre o tema e disse que até o ditador soviético Josef Stálin (1878-1953) defendia a norma culta.

Haddad respondeu que os críticos da obra distribuída pelo Ministério da Educação, em sua maioria, não a haviam lido e voltou a citar o ditador soviético.

"Há uma diferença entre o Hitler e o Stálin. Ambos fuzilavam seus inimigos, mas o Stálin lia os livros antes de fuzilá-los. Estamos vivendo, portanto, uma pequena involução, estamos saindo de uma situação stalinista e agora adotando uma postura mais de viés fascista, que é criticar um livro sem ler."

(...)

Na semana passada, a Defensoria Pública da União no Distrito Federal entrou com uma ação pedindo o recolhimento da obra.

Fernando Haddad, ao comentar o livro “Por uma Vida Melhor” em audiência na Comissão de Educação do Senado

publicado por Instituto Globilíngua às 15:46
 O que é? |  O que é? | favorito

Junho 03 2011

VERDADE OU PRECONCEITO

Autor Ferreira Gullar

Folha de São Paulo – E10 Ilustrada -  Domingo 29 de maio de 2011.

 

TENHO COMENTADO aqui o fato de que, para alguns linguistas, nunca há erro no uso do idioma: tanto faz dizer "problema" como "pobrema" que está certo. Confesso que, na minha modesta condição de escritor e jornalista, surpreendo-me, eu que, ao suspeitar que poderia me tornar poeta, passei dois anos só lendo gramáticas. E sabem por quê? Porque acreditava que escritor não pode escrever errado.

E agora descubro que ninguém escreve errado nunca, pois todo modo de escrever e falar é correto! Perdi meu tempo? Mas alguma coisa em mim se nega a concordar com os linguistas: se em todo campo do conhecimento e da ação humana se cometem erros, por que só no uso da língua não? É difícil de engolir.

Essa questão veio de novo à baila com a notícia de um livro, adotado pelo Ministério da Educação e distribuído às escolas, em que a autora ensina que dizer "os livro" está correto. Estabeleceu-se uma discussão pública do assunto, ficando claro que, fora os linguistas, ninguém aceita que falar errado esteja certo.

Mas não é tão simples assim. Falar não é o mesmo que escrever e, por isso, falando, muita vez cometemos erros que, ao escrever, não cometemos. E às vezes usamos expressões deliberadamente "erradas" ou para fazer graça ou por ironia. Mas, em tudo isso, está implícito que há um modo correto de dizer as coisas, pois a língua tem normas.

O leitor já deve ter ouvido falar em "entropia", uma lei da física que constata a tendência dos sistemas físicos para a desordem. E essa tendência parece presente em todos os sistemas, inclusive nos idiomas, que são também sistemas.

Devemos observar que as línguas, como organismos vivos que são, mudam, transformam-se, como se pode verificar comparando textos escritos em épocas diferentes. Há ainda as variações do falar regional, que guarda inevitáveis peculiaridades e constituem riqueza do idioma.

Mas isso não é a mesma coisa que entropia. Já violar as normas gramaticais é, sim, caminhar para a desordem. Se isso é natural e inevitável, é também natural o esforço para manter a ordem linguística, que não foi inventada pelos gramáticos, mas apenas formulada e sistematizada por eles: nasceu naturalmente porque, sem ela, seria impossível as pessoas se entenderem.

Na minha condição de "especialista em ideias gerais" (Otto Lara Resende), verifico que, atualmente, não só na linguística, tende-se a admitir que tudo está certo e, se alguém discorda dessa generosa abertura, passa a ser tido como superado e preconceituoso.

Agora mesmo, durante essa discussão em torno do tal livro, os defensores da tese linguística afirmaram que quem dela discordava era por preconceito.

Um dos secretários do ministro da Educação declarou que aquele ministério não se julgava "dono da verdade" e que, por isso mesmo, não poderia impedir que o livro fosse comprado e distribuído às escolas.

Uma declaração surpreendente, já que ninguém estava pedindo ao ministro que afirmasse ou negasse a existência de Deus, e sim, tão somente, que decidisse sobre uma questão pertinente à sua função ministerial.

Não é ele o ministro da Educação? Não é ele responsável pelo rumo que se imprima à educação pública no país? Se isso não é de sua competência, é de quem? De fato, o que estava por trás daquela afirmação do secretário não era bem isso, e sim que a crítica ao livro em discussão não tinha nenhum fundamento: era mero preconceito. Ou seja, simples pretensão de quem se julga dono da verdade que, como se sabe, não existe...

Esse relativismo, bastante conveniente quando se quer fugir à responsabilidade, tornou-se a maneira mais fácil de escapar à discussão dos problemas.

Certamente, não se trata de afirmar que as normas e princípios que regem o idioma ou a vida social estejam acima de qualquer crítica, mas, pelo contrário, devem ser questionados e discutidos. Considerar que todo e qualquer reparo a este ou aquele princípio é mero preconceito, isso sim, é pretender que há verdades intocáveis.

Não li o tal livro, não quero julgá-lo a priori. Creio, porém, que quem fala errado vai à escola para aprender a falar certo, mas, se para o professor o errado está certo, não há o que aprender

publicado por Instituto Globilíngua às 15:59
 O que é? |  O que é? | favorito

Dezembro 16 2010

A  Pedra de Dighton não tem sido nenhuma  deusa do amor  tal qual  a  Afrodite (grega) ou  a Venus (romana). Tem exercido, sim, durante séculos, uma atracção fascinante sobre   vários  historiadores, arqueologistas  e até amadores.

Tem sido ofendida fisicamente, danificada na sua face, durante centenas de anos  e até ultrajada com nomes ofensivos como famigerada, misteriosa, mentirosa, etc.

O mais dramático  é que muitos investigadores considerando-se  “sábios”  têm emitido opiniões sobre  as suas inscrições SEM  NUNCA terem  examinado IN LOCO  este monumento!

Isto é a mesma coisa que um médico fazer o diagnóstico duma doença SEM NUNCA ter visto ou examinado o doente! É mesmo para matar! Isso nunca se deve fazer, quando se deseja diagnosticar e tratar cientificamente!

Outra coisa que acontece ainda mais grave é certo número dos chamados historiadores portugueses e americanos  emitirem a suas “doutas” opiniões baseando-se exclusivamente  na face actual da Pedra de Dighton. A FACE ACTUAL  da Pedra de Dighton está cheia de rugas, apanágio duma ‘mulher’ que já passou pela menopausa e já criou vários filhos…Será  correcto pormos de parte toda  sua beleza durante a sua juventude e  de `mulher madura`? Não devemos ser assim cruéis! Devemos ser  pelo menos gentlemen!

Não, não, meus amigos. Para estudarmos  científica e profundamente  a Pedra de Dighton temos que obter uma boa história clínica, como foi a sua juventude  e  a sua adolescência, para compreendermos  completamente o  seu estado actual de ‘mulher’ menopausal e  cheia de rugas…

“The Writing Rock” – antes de 1680

Devemos notar que o primeiro  nome dado à Pedra de Dighton foi “Dighton Writing Rock” ( antes de 1680),  ou seja a “Pedra da Escrita”, como se a sua face plana,  com uma área de 55 pés quadrados,  fosse um quadro  preto numa escola,  onde toda a gente escreveu as suas iniciais  e praticou os mais variados vandalismos...

Até à data ainda NENHUM historiador, melhor NENHUM EPIGRAFISTA  português especializado  nos  séculos XV e XVI  jamais examinou no local a Pedra de Dighton! É confrangedor, para não dizer outra coisa mais lamentável! Mas os  chamados “trutas grandes” em Portugal, como Damião Péres e Luís de Albuquerque  já emitiram as suas “doutas” conclusões. O Albuquerque até chegou a escrever que de Portugal,  (sem nunca ter observado a Pedra de Dighton in loco),  via o seu próprio nome gravado na Pedra de Dighton! O Albuquerque devia ter um lápis muito comprido! Que coisa tão ridícula e tão estúpida! E  têm sido personalidades deste calibre que têm estado a formar as várias gerações de Portugal!

A Juventude da Pedra de Dighton

Para compreendermos bem as inscrições originais da Pedra de Dighton temos que analisar  em pormenor os primeiros desenhos que foram  feitos ANTES   da invenção da fotografia em 1836 (Louis Daguerre) e baseados em decalques directos da face da Pedra de Dighton, sem os seus autores nunca terem pensado nas possibilidades das inscrições originais serem portuguesas.  Portanto nunca  puxaram a brasa à sardinha portuguesa! ….

Cartucho Histórico da Pedra de Dighton

Se tivermos coragem de perguntar aos historiadores de Portugal, ou mesma coisa aos americanos,  quantos é  que conhecem o Cartucho Histórico da Pedra de Dighton, quantas respostas afirmativas é que vamos colher? NENHUMA!

Quem  não souber o Cartucho Histórico da Pedra de Dighton não poderá, de maneira nenhuma, fazer o diagnóstico correcto das respectivas inscrições.

Vamos portanto analisar várias partes da face da Pedra de Dighton  para verificarmos que algumas das  inscrições que eram visíveis e bem claras  há quase quatro séculos,  agora já não são discerníveis devido ao vandalismo que a face da Pedra tem sofrido durante  este longo e secular período!

Primeiro Documento -1680 Se analisarmos o primeiro documento  das inscrições da Pedra de Dighton desenhado  pelo reverendo John Danforth em Outono de 1680  (cujo original está guardado no Museu Britânico em Londres), verificamos, facilmente, que na parte superior da face da Pedra estão desenhadas duas Cruzes da Ordem de Cristo, mostrando nitidamente as extremidades da Cruz da Ordem de Cristo com extremidades em   45 graus!

Desenho de John Bradford -1680 Danforth chamou a estas duas cruzes “navios sem mastros e uma península” para condizer com uma tradição dos Índios Wampanoags da região  “porque tinha vindo uma casa de madeira pelo rio acima”.

Decalque de James Winthrop – 1788.

Cento e oito anos mais tarde, James Winthrop fez um estudo muito mais exacto. Realizou um DECALQUE  das inscrições usando folhas grandes de papel  e depois reproduziu o decalque em escala, num desenho mais pequeno. Neste desenho podemos distinguir uma Cruz da Ordem de Cristo mais completa na parte  superior central das inscrições, mostrando nitidamente uma extremidade em 45 graus.  Do lado norte da Pedra aparece a base de outra Cruz e o chamado “Rosto da Sereia” que são na realidade as Quinas de Portugal.  Do lado do sul da Pedra  começa a desenhar-se o escudo em “V” com outro concêntrico e o braço inferior   de uma outra Cruz de Cristo. Mas James Winthrop não reconheceu nenhum destes símbolos como sendo ícones portugueses.

Baylies e Goodwin- 1790

Dois anos mais tarde, em 1790, Baylies e Goodwin baseados também em decalques oferecem-nos mais detalhes das letras do nome de Migvel Corte Real e do Escudo Português  em forma de um “V”.

Sociedade Histórica de Rhode Island – 1830

Seis anos antes da invenção da fotografia, foi pedido em 1830, à Sociedade Histórica de Rhode Island,  localizada na cidade de  Providence, R. I.  uma  cópia das inscrições da face da Pedra de Dighton para ser enviada para a Dinamarca.  Nesta reprodução foram reveladas as letras M, I  e V , assim como C, O R e parte de T,  do nome Migvel Corte Real  e ainda  o Escudo em foram de “V”.  Mas até esta data nenhum investigador na América ou na Europa relacionou estes símbolos como sendo portugueses.

Delabarre em 1918

Só em 18 de Dezembro de 1918 é  que o Professor Edmund Burke Delabarre, Psicologista e Chefe do Departamento na Universidade de Brown, em Providence, Rhode  Island, quando estava no laboratório   a revelar fotografias,  detectou a data 1511 gravada na Pedra de Dighton. Com esta data começou a procurar na História da Europa  quem é que teria vindo para a América do Norte àvolta de 1511. Principiou  pelos países escandinavos mas finalmente chegou a Portugal onde obteve a informação baseada em Cartas Reais  de que Gaspar e Miguel Corte Real tinham saído de Lisboa em 1501 e 1502 e nenhum jamais  tinha regressado a Portugal.

Delabarre resolveu então rever os VINTE  SETE  desenhos que havia sobre as inscrições da Pedra de Dighton e verificou que vinte um deles mostravam a data 1511 e  por isso escreveu assim: 

“ No dia 2 de Dezembro de 1918 eu distingui claramente e sem sombra de dúvida a data de 1511.  Ninguém a tinha descoberto antes na Pedra ou na fotografia; e no entanto uma vez descoberta, não se pode duvidar mais da sua autêntica presença na Pedra”.

Devemos notar que os antepassados de Delabarre eram descendentes da Bélgica e que ele não tinha uma gota de sangue lusitano. Portanto as suas investigações foram totalmente imparciais.

Delabarre descobriu (1) a data de 1511, (2) o nome de Migvel Corte Real ao centro, (3) o Escudo Português em forma de um “V”, mas apesar de  ter sido condecorado com  a Comenda da Cruz da Ordem de Cristo pelo Governo Português, mesmo com a Cruz de Cristo ao peito,  não foi capaz de descobrir as Cruzes de Cristo gravadas na Pedra de Dighton.

Delabarre hipnotizado pela Pedra

Apesar de Delabarre ser psicologista deixou-se hipnotizar pela Pedra de Dighton, chegando mesmo a inventar uma mensagem em latim  supostamente  gravada na Pedra de Dighton! A hipotética mensagem em latim abreviado era (V. Dei hic Dux Ind  = Voluntate dei hic Indorum) cuja tradução seria = Pela Graça de Deus chefe dos Índios aqui.  Esta menagem em latim tem sido o tendão de Aquiles de Delabarre. Infelizmente esta mensagem continua a ser repetida inúmeras vezes quer pelos escritores americanos,  quer pelos portugueses, geralmente  em notas de rodapé, às quais eu prefiro chamar notas de chulé,  porque continuam a ser usadas pelos macacos de imitação!...

A Pedra de Dighton e Cordeiro de Sousa

O maior epigrafista mundial  foi,  sem dúvida, Jean Champollion, francês,  quando ele descobriu os Cartuchos Históricos de Ptolomeu e Cleópatra e  revelou à humanidade os segredos da escrita antiga dos egípcios.

Em Portugal,  o primeiro epigrafista dos séculos XV e XVI foi Luciano Cordeio, fundador da Sociedade de Geografia de Lisboa e descobridor das inscrições da Pedra de Yelala no Congo, em África.

O Luciano Cordeiro tinha um filho chamado José Maria Cordeiro  de Sousa  que seguiu as pegadas do pai e tornou-se um bom epigrafista dos séculos XV e XVI segundo alguns  estudiosos portugueses  que o conheceram bem.

Eu porque tenho vivido  há 57 anos na América, infelizmente,   nunca tive oportunidade de ler os vários artigos de investigação do Sr. Cordeiro de Sousa. Vim a conhecer o seu nome pela crítica  negativa que fez, repetidas vezes, às inscrições da Pedra de Dighton.  Baseia-se quase exclusivamente na mensagem em latim apresentada pelo Delabarre. Se assim é não posso ter muita consideração pelo Cordeiro de Sousa.   Eu também não concordo com a mensagem em latim mas já disse  porquê! Eu refutei em 1960,  quase há 43 anos, no Primeiro Congresso Internacional dos Descobrimentos na Universidade de Lisboa, as razões porque a mensagem em latim abreviado (V. Dei hic Ind.) não se encontra  gravada  na Pedra de Dighton:

(a) as formas abreviadas são demasiado hipotéticas;

(b) as letras  têm tamanho e formato  inconsistente;

(c)  os navegadores portugueses nunca usaram latim nos marcos dos descobrimentos;

(d) e porque os traços atribuídos ao X e ao N fazem parte dos ângulos da Cruz da Ordem de Cristo que o Professor Delabarre não chegou a descobrir gravada  na Pedra de Dighton.

Para mim é muito fácil concluir que Cordeiro de Sousa NUNCA  reviu os VINTE SETE desenhos das inscrições da Pedra de Dighton ANTES da invenção da fotografia. Em Epigrafia isto é  um comportamento ABSOLUTAMENTE OBRIGATÓRIO!

Quem quiser  fazer o diagnóstico das inscrições originais da Pedra de Dighton, baseando-se apenas naquilo que agora  se  vê na face da Pedra de Dighton, é um incompleto  e não sabe o que está a fazer. Está a enganar-se a si mesmo  e aos outros.  Se é escritor ou professor ainda pior: está a ser maligno, especialmente  para a juventude de Portugal. Isso é ser contra Nação  e contra o Património Português.

Historiadores Açambarcadores

O facto de não termos epigrafistas em Portugal dos séculos XV e XVI explica-se  pela atitude dos chamados professores-historiadores que açambarcam, monopolizam, roubam os espaços e o material aos epigrafistas que por direito lhes pertence. Os historiadores têm medo de perder o tacho e de perder a hegemonia da investigação e do ensino! São como cães agarrados a um osso!  Continuam a servirem-se do material que, repito, pertence realmente aos epigrafistas do séculos  XV e XVI, os períodos mais gloriosos da História de Portugal.

O estudo da  Epigrafia é uma ciência muito mais exacta do que a própria História!   A Epigrafia é a Patologia da Arqueologia! O achado epigráfico é que é a verdadeira prova! O resto é cantiga, é paleio irrelevante!

É por isso que eu nas minhas investigações sobre a Pedra de Dighton tenho usado os mesmos métodos científicos que sempre apliquei na minha prática de Medicina Interna, durante mais de 40 anos! Durante a minha vida médica examinei mais de 300 mil pessoas! A minha profissão tem sido a de um DIAGNOSTICADOR! Fiz mais de um milhão de diagnósticos e muitos entre a vida e a morte! Quantos diagnósticos é que um professor de história fez durante a sua vida profissional?

As maiores descobertas originais de arqueologia e epigrafia têm sido  feitas  por amadores!

Por muito estranho que pareça as maiores descobertas originais da arqueologia e da epigrafia têm sido feitas por amadores e não por professores de história que ensinam nos liceus ou nas universidades! Em Portugal os maiores historiadores foram todos amadores que nunca ensinaram nas escolas:  Oliveira Martins, Almeida Garrett, Alexandre Herculano, Gago Coutinho, etc.  Na América sucede o mesmo!

Cúmulo da velhacaria

No dia 8 de Setembro de 1960, como congressista devidamente credenciado eu apresentei a minha comunicação sobre as inscrições portuguesas da Pedra  de Dighton, no Primeiro Congresso Internacional dos Descobrimentos. O anfiteatro da Aula Magna da Universidade de Lisboa estava repleto, com  mais de dois mil congressistas.

O “Diário de Notícias” de 9 de Setembro de1960, escreveu que eu recebi “a maior salva de palmas do Congresso!” Apesar deste  grande sucesso os directores do referido Congresso, nos sete volumes das Actas do Congresso, eliminaram o meu nome da lista dos congressistas e eliminaram totalmente a minha comunicação ao Congresso! Sem dúvida o maior  gesto de velhacaria que se podia fazer a um congressista devidamente credenciado!

Vejamos o contaste. Na América dois anos depois de eu publicar  em  inglês  (1971)  o meu livro “Portuguese Pilgrims and Dighton Rock”,  uma universidade americana deu-me um “Doutoramento Honoris Causa” pelos  meus estudos como epigrafista da Pedra de Dighton. De Portugal só tenho levado coices dos chamados historiadores!  Mas felizmente quase todos os directores do Primeiro Congresso dos Descobrimentos  já morreram e estão a arder no inferno! Não fazem cá falta nenhuma porque não  deixaram o seu nome numa forma duradoira entre o povo português. É  bem certo  o  que o grande Camões muito bem versou (Canto IV, 33): “Dizei-lhe que também dos Portugueses  alguns traidores houve algumas vezes”.

Conclusão das inscrições portuguesas gravadas na Pedra de Dighton de acordo com as investigações de Delabarre, Fragoso e Da Silva, apresentadas no Primeiro Congresso Internacional da História dos Descobrimentos em 1960:


Bandeira No. 1 – Escudo em forma de "U"

Bandeira No. 2 –Cruz da Ordem de Cristo

Bandeira No. 3 – Escudo em forma de “V”

Ao centro – Nome do Capitão Migvel Corte Real Data de 1S11, com o algarismo 5 em forma de S

Delabarre descobriu: 
(1)   a data 1511, 
(2) o nome do capitão: Miguel Corte Real
(3)  Escudo Português em forma de um “V”.

Fragoso e Da Silva descobriram: as 4  Cruzes da Ordem de Cristo.


 

 

 

 



 

'Navio Escola Sagres', na Baía de Bristol, Rhode Island, em Julho de 1964. Notar as Cruzes da Ordem de Cristo com as extremidades em 45 graus, igualzinhas às que estão gravadas na Pedra de Dighton!

publicado por Instituto Globilíngua às 14:41
 O que é? |  O que é? | favorito

Dezembro 16 2010

A minha homenagem
ao Sr. Anthony Marques

By Manuel Luciano da Silva, Médico
January 18 2003

 

Faleceu no Hospital de Doylestown no Estado de Pensilvânia, a 11 de Janeiro de 2004, com 79 anos, o Sr. Anthony Marques, um dos emigrantes portugueses mais empreendedores dos últimos cinquenta anos, nos Estados Unidos da América.

Nasceu  na pequena vila do Pinheiro da Bemposta, perto de Oliveira de Azeméis, distrito de Aveiro. Deu o primeiro passo de emigrante aos doze anos quando foi para Lisboa. Mas aos 23 atravessou a Atlântico e veio para Warren, Estado de Rhode Island, onde começou a trabalhar de pá e picareta.

Depois deslocou-se para Newark, New Jersey, onde dentro de pouco tempo, com o seu dinamismo começou  a concorrer a empreitadas de construção de pequenas estradas. Mas em poucos anos as suas obras tomaram proporções gigantescas como auto-estradas e até pistas de campos de aviação. Mas o seu forte foi em criar cinco companhias independentes que passaram a especializar-se  na colocação de canos subterrâneos  para a condução de gás, cabos de electricidade e telefones e ainda grandes empresas de controlo da  poluição e tratamentos e águas. As suas companhias que ainda existem são: Lisbon Contractors, Anjos Equipment, Alpha Construction  e Pollution Control.

O Jornal “Luso-Americano” de Newark,  New Jersey, informou que as empresas fundadas por Anthony Marques deram  emprego durante muitos anos  a várias centenas de portugueses. Enquanto na sua vida empresarial activa deu também elevado apoio às actividades comunitárias.

Homem do Ano

O “Luso-Americano” em 1977 considerou ao Sr. Anthony Marques o “Homem do Ano” não só pelos seus grandes empreendimentos como empresário bem sucedido, mas também pelo amor que ele sempre dedicou  às coisas portuguesas e a Portugal.  O Sr. Vasco Jardim, Director do “Luso-Americano”, por saber que eu  tinha muita consideração pelo Sr. Marques pediu-me para eu ser o orador principal. E eu fui com muito gosto. De Bristol, RI  a Newark, N. J.  são  250 milhas!

A demonstração que o Sr. Anthony Marques realmente gostava muito de Portugal está sobejamente demonstrada no facto de ele construir um  belo hotel em Oliveira de Azeméis, com o primeiro restaurante giratório em toda a península Ibérica!

O que eu não contava é que ele viesse a dar  ao novo hotel o nome de “Rock of Dighton”. E porquê?

Em 1971,  eu publiquei o meu  primeiro livro em inglês intitulado “Portuguese Pilgrims and Dighton Rock”. O Sr. Anthony Marques mandou  pedir um livro e eu ofereci-lhe um exemplar. Eu gostou tanto do meu livro que disse à sua secretária para encomendar mais  cinco cópias para poder  oferecer a cada um dos presidentes das cinco companhias que ele tinha criado.  Nunca mandei a conta dos livros ao Sr. Marques. A secretária  chamou-me pelo telefone,  insistiu  para eu enviar  a conta e eu disse-lhe que não mandava conta nenhuma porque tinha muita admiração pelo Sr. Marques. E que os livros eram oferta minha.

Uma semana antes da inauguração do “Hotel Rock of Dighton” o Sr. Anthony Marques convidou-me para eu e minha mulher  irmos a Portugal assistir às  festividades, mas nessa altura,  devido às minhas obrigações profissionais médicas,  foi totalmente impossível irmos a Portugal.

Foi para mim, e para muita gente,  uma grande e  agradável surpresa vir a saber depois da inauguração,  que o Sr. Anthony Marques tinha escolhido  o nome  para o  seu novo e  ultra moderno --  “Hotel Rock of Dighton”--   em honra do meu livro  “Portuguese Pilgrims and Dighton Rock”.  Houve até várias pessoas que pensaram que eu tinha sociedade no “Hotel Rock of Dighton”... O que eu tenho é uma imensa gratidão ao Sr. Anthony Marques por ter honrado  a minha obra de investigação histórica e ligar o significado da Pedra de Dighton com Portugal e duma maneira mais específica a Oliveira de Azeméis.

Ainda mais. Temos em Portugal agora três Réplicas da face da Pedra de Dighton feitas de fibra de vidro construídas pelo meu particular amigo Eduardo Medeiros de Bristol e os seus  co-trabalhadores no grande estaleiro naval da  TPI em Warren, Rhode Island.

A primeira Réplica  está na Praça  junto do Planetário Gulbenkian, aos Jerónimos, a segunda  no Museu de Oliveira de Azeméis, terra em que frequentei Liceu e a terceira está no pátio da  Biblioteca-Museu com o meu nome  em Cavião,  Vale de Cambra.   Esta obra devo-a também a outro Empresário, Sr. Álvaro da Costa Leite  e sua Esposa, por quem  tenho uma profunda amizade e gratidão.

Já tinha convidado o Sr. Anthony Marques para na próxima viagem que fizesse a  Portugal   visitasse a minha Biblioteca Museu e ele aceitou.  Tenho muita pena que a saúde dele não tivesse permitido  que isso acontecesse. Estou convicto que esse acontecimento seria de muita  alegria e emoção mútuas.

Que a sua alma descanse em paz.  O Sr. Anthony  Marques deixou muitas obras de grande envergadura tanto em Portugal como  na América!


publicado por Instituto Globilíngua às 14:40
 O que é? |  O que é? | favorito

Dezembro 16 2010

Homenagem ao primeiro europeu

que pisou Fall River

Por Manuel Estrela

Uma das teorias sobre as inscrições da tão falada famosa Pedra de Dighton, talvez a mais coerente,  é a que se refere às Cruzes da Ordem de Cristo, ao Escudo Português,  à data  de 1511 e ao nome de Miguel Corte Real.

Muita e muita gente acredita que estas inscrições são mesmo portuguesas, e foi um Professor da Brown University, que não era português, o primeiro que as atri­buiu  aos nossos antepassados. Até o deputado do Partido  Socialista à  Assembleia da República, Dr. Manuel Alegre, escreveu poesia sobre o importante monumento.

Outros estão no seu direito de não acreditar... mas a realidade é que ninguém, em boa verdade e com  recta intenção,  pode “julgar” a Pedra sem a ver, sem  a apalpar, pois corre  o risco de imitar os papagaios...

Vem isto a propósito da sugestão do Sr. Dr. Manuel Luciano da Silva de dar o nome de Miguel Corte Real à  nova ponte de Fall River, que vai ligar esta cidade à  vila de Somerset, precisamente para homenagear o homem de “pele pálida,” que alegadamente pisou terre­nos que mais tarde seriam  parte de Fall River ou subiu  Rio Taunton, à  procura do irmão.

Sabe-se que esta sugestão vai encontrar muitos e muitos adeptos, mas também, obviamente, contestação, como acontece com Cristovão Colon e com tantas faça­nhas históricas.

De qualquer rnaneira, a Ponte Miguel Corte Real seria acima de tudo uma (mais uma) honra para Portu­gal e para todos os portugueses.

Não será fácil, sabemos, mas unidos podemos  vencer mais este desafio.

Tudo seria mais fácil, em todos os sentidos, se Angra do Heroísmo, tão ciosa do seu passado histórico, se livrasse de alguns complexos, semeados por quem, com receios de perder algum prestígio a favor de amadores, como se isso fosse uma raridade no mundo das descobertas históricas, tivesse manifestado interesse pela Pedra de Dighton, tão relacionada com a Terceira, a fazer fé nas suas inscrições.

Existe em Angra do Heroísmo um local chamado “Largo Migvel (com o v em vez do u) Corte Real,” que poderia receber também, com o orgulho terceirense, uma réplica da Pedra de Dighton, ou no Jardim dos Corte Real. É  que a teoria portuguesa da Pedra de Dighton torna mais famoso o navegador Miguel Corte Real, que foi porteiro-mor de D. Manuel I, um cargo importante.

Se as inscrições são falsas, talvez nem se justifique tal Largo na cidade açoriana Património Mundial. É que há um  jardim para todos os Corte Real e um Largo só para o Miguel...

Pelo menos os terceirenses e todos os portugueses interessados aqui radicados poderiam influenciar ou até mesmo provocar encontros com o fim de esclarecimento. Por exemplo convidando historiadores e investigadores a visitarem a Pedra com o Dr. Manuel Luciano da Silva.

Estamo-nos a lembrar dos Amigos da Terceira... que poderiam juntar mais esta causa nobre a tantas outras já  realizadas nesta comunidade, a favor da História dos Estados Unidos e de Portugal, porque a Pedra, como diz o Dr. Silva é  um monumento americano, relacionado com Portugal.

publicado por Instituto Globilíngua às 14:39
 O que é? |  O que é? | favorito

Dezembro 16 2010

O  RETRATO DE MIGUEL CORTE REAL

Por Manuel Luciano da Silva, Médico

Todas as honras desta grande descoberta vão direitinhas para o Doutor Américo da Costa Ramalho, Professor da Universidade de Coimbra e especialista em Cultura Helénica e Humanista,  em Portugal.

Foi  este académico  que descobriu  um  elogio em latim, contemporâneo de Miguel Corte Real, escrito pelo poeta  italiano Cataldo Sículo,  que residia temporariamente em Lisboa   e  foi publicado na colectânea POEMATA, em 1502.

Nunca  ninguém tinha analisado este poema em relação ao navegador Miguel Corte Real. Logo  no começo da sua monografia  o Professor Costa Ramalho alerta-nos:

"Não há dúvida nenhuma de que se trata do famoso Miguel Corte Real e traz, pelo menos,  um subsídio  histórico para  sua biografia, até hoje não aproveitado."

O poema consta de quarenta  e quatro versos dedicado a "michaele curie regalis " ou seja a Miguel Corte Real. Vamos rever a tradução  do referido poema feita pelo Professor Ramalho: O título do poema é como acima se disse --  "Dedicado a Miguel Corte Real".

Nos primeiros versos o poeta expressa a sua "humildade poética" mas ao mesmo tempo  revela bem claro o nome do protagonista como sendo  descendente dos famosos Corte Reais.

Diz o poema:

"Foge-me o talento e a eloquência, apodera-se  de mim o terror, quando tento  dizer os feitos de tão grande capitão".

"É aquele que tem o nome do príncipe celeste  dos cavaleiros e a quem os antepassados legaram o apelido de Corte Real."

"Tudo quanto faz é digno de triunfos, digno de ser posto em tábua de cedro."

"Avô e bisavô o tornaram nobre pelo sangue. E ele os adorava em todas as virtudes."

"Ele tudo realiza, segundo o pensamento de quem lho ordena (o Rei)."

"Cavaleiro ilustre, ora actua como soldado, ora veste armas ligeiras. Em qualquer caso, a sua presença significa victória."

RETRATO FÍSICO E CARACTER

E agora vêm os versos que nos dão em pormenor a aparência, o retrato físico e o carácter do famoso navegador Miguel Corte Real:

"É amável com pessoas amáveis, brando com brandos amigos, mas com os arrogantes torna-se bastante ríspido."

"Não aprendeu  as belas letras na infância, mas ensinado pelo seu talento tudo sabe."

"De aspecto, é sereno e belo, e mais belo é o seu íntimo. Da sua boca eloquente jorra uma graça variada".

"Gosta de dar muito, com mão larga, a quem o merece e piedosamente se esforça  por não prejudicar  a quem o não merece".

PORTEIRO-MOR

Qual era a posição oficial de Miguel Corte Real?

É Cataldo Sículo que nos informa:

"Talvez queiras saber qual é o ofício deste Senhor?

"O Rei confia-lhe todos os encargos. Principalmente como porteiro-mor do palácio  sobre as muralhas, é ele quem, no meio do silêncio geral, manda trazer os alimentos."

"A este homem tão leal confia D. Manuel com razão os seus segredos, tão grande é a virtude que nele reside, tão grande a honra."

GUERREIRO

E agora vem a parte  guerreira de Miguel Corte Real  que era totalmente desconhecida:

"Passou às costas africanas em navios. Era o comandante. Preparava-se para aí conquistar uma fortaleza, pondo-lhe cerco".

"Fosse inveja, fosse o fado iníquo, a multidão dos companheiros  entrega-se a vergonhosa fuga, sob a pressão do inimigo".

"Ele com uma pequena força , faz frente aos africanos que se precipitam ao ataque e retira coberto de sangue, depois de grande morticínio."

E o poeta  Cataldo conclui  o seu poema comparando o  heroísmo de Miguel Corte Real aos heróis da Antiga Grécia.

O Professor Costa Ramalho faz uma análise pormenorizada dos vários dados revelados  neste poema. Explica a origem do nome Corte Real que foi dado à Vasco Eanes, um dos antepassados de Miguel,  pelos grandes serviços prestados à Corte Real presidida pelo Rei D. Duarte.

Confirma a posição de porteiro-mor da Casa Real,  portanto uma das posições mais altas na Corte Portuguesa.

Explica que o verso que diz que Miguel Corte Real "Não aprendeu as belas letras na infância", isso não quer dizer que o navegador era analfabeto!   Quere  dizer, sim,  que  Miguel Corte Real não sabia Latim.  E o Professor Costa Ramalho acrescenta que isto é muito importante para darmos razão ao facto de Miguel Corte Real não ter deixado nenhuma mensagem em latim gravada na Pedra de Dighton. Esta conclusão  é  igual à que afirmei no meu livro "Portuguese Pilgrims and Dighton Rock" publicado em 1971 e esgotado desde 1976.

Infelizmente  a mensagem  que o  psicólogo-historiador,  Prof. Delabarre da Universidade de Brown,  sugeriu   em 1928 de que Miguel Corte Real tinha deixado na Pedra de Dighton   uma mensagem em latim = "V(oluntate) Dei Hic Dux Ind(orum)", significando: " Chefe dos Indios aqui",  é uma FANTASIA  que continua a ser repetida em muitas notas de rodapé,  que na realidade são aquilo a que eu chamo "notas de chulé"!

Outra análise importante do  poema de Cataldo é o facto de ficarmos a saber que  Miguel Corte Real também foi guerreiro nas campanhas de Norte Africa.   Isto é muito importante para explicar a assinatura duma carta dele em 1501 dirigida ao Rei D. Manuel, que o próprio historiador Henry Harrisse teve dificuldade em entender porque não tinha dados que explicassem que Miguel Corte Real jamais tinha estado em  Málaga,  Espanha,  no ano antes de partir para a América do Norte, em 10 de Maio de  1502,  à procura do irmão Gaspar Corte Real que não tinha regressado a Lisboa  da sua segunda viagem  em 1501.

TEORIA PORTUGUESA DA PEDRA DE DIGHTON

O Professor Costa Ramalho conclui o seu trabalho desta maneira:

 

"Durante anos, a teoria prevalecente foi  a do psicólogo, tornado historiador, Professor Edmund Burke Delabarre, que ,  descobriu o  nome de Miguel Corte Real,  o Escudo Português e a data de 1511. Posteriormente  (1951), um professor universitário de Português, José Dâmaso Fragoso, (na "New York University), revelou a existência de heráldica lusa no rochedo - três cruzes da Ordem de Cristo. E um médico de origem portuguesa, estabelecido nos Estados Unidos, o Dr. Manuel Luciano da Silva, tem sido o ardente propagandista da teoria de que o rochedo de Dighton é um documento histórico da presença de Miguel Corte Real  nas costas da América do Norte. Ele nega a mensagem em latim, reduzindo o texto da inscrição ao nome do navegador  e a uma data, 1511, além de um Escudo  Português e três Cruzes da Ordem de Cristo."

Fez, no dia 18 de Dezembro de 1998,  OITENTA ANOS  anos que o Professor Delabarre lançou a teoria portuguesa das inscrições  portuguesas  gravadas na Pedra de  Dighton.  Durante estas oito décadas TODAS  as investigações  só têm servido para consolidarem  cada vez mais a Teoria Portuguesa da Pedra de Dighton.

Claro que fiquei satisfeito com este artigo original do Professor Costa Ramalho que chegou a ser "Visiting Professor"  de Português na "New York University",   entre 1959-1962.   Naquele tempo eu já era médico. Mas a "New York University"  foi a minha primeira "alma matter",  onde eu  me formei em biologia em 1952.

Devemos realçar ainda mais a importância da  investigação  original do Professor Ramalho pelo facto de ser  BASEADA   na  ANÁLISE DUM DOCUMENTO CONTEMPORÂNEO DE MIGUEL CORTE REAL.  Parabéns,  ao ilustre Mestre!

publicado por Instituto Globilíngua às 14:37
 O que é? |  O que é? | favorito

Dezembro 16 2010

A Pedra de Dighton também é imigrante!

Por Manuel Luciano da Silva, Médico

 

Se o planeta Terra está a  aquecer a Pedra de Dighton dá-nos o alerta  como devemos proceder para evitarmos a destruição da humanidade!

O Cabo dos Bacalhaus nasceu há dez mil anos com as enchurradas gigantescas  glaciais que fizeram a Pedra de Dighton rolar até ao rio Taunton!

 

Aos domingos de tarde tenho por hábito ir até ao Museu  da Pedra de Dighton. Da minha casa em Bristol, Rhode Island, ao Parque Estadual, são apenas  vinte milhas  ou sejam 32 quilómetros. É um passeio agradável ao longo da Baía de Narraganset, a qual é dez por cento maior do que o Estuário do Tejo, em Lisboa.

 

Sempre que chego ao Museu, encontro lá luso-americanos -- às vezes às dezenas – que me têm dado a oportunidade de lhes explicar os novos painéis, os artifactos histórico-marítimos e artísticos que fazem parte do recheio do museu. A seguir entramos no Pavilhão – iluminado a meia luz – que contém a Pedra de Dighton dentro de uma vitrine octagonal. Depois de lhes apontar, na face da Pedra, as inscrições gravadas em 1511 por Miguel Corte Real e os símbolos nacionais portugueses, concluo a minha exposição, afirmando que a Pedra de Dighton também é, como nós, IMIGRANTE!

 

Três razões

(1)               Foi no dia 22 de Maio de 1972, que o Professor Bruno Giletti, Chefe do Departametno de Ciências Geológicas da Universidade de Brown, em Providence, Rhode Island, ao examinar comigo, in loco, a Pedra de Dighton  afirmou: “Pelas marcas de cama desta pedra verificamos que a Pedra de Dighton está de pernas para o ar!”

Há muitos pedregulhos ou blocos na Nova Inglaterra que rolaram  grandes distâncias empurrados por avalanches gigantescas  de gelo, ou glaciares, durante o Período Quartenário Glaciar que existiu há um milhão de anos! E a Pedra de Dighton, apesar das suas quarenta  toneladas, também teve que rolar perante força tão gigante! E quem sabe?  Poderia ter rolado até muitas centenas de milhas antes de parar na margem esquerda do Rio Taunton, vinda do Canadá. Foi assim que se formou também todo o Cabo dos Bacalhaus, à custa da enchurrada gacial, há dez mil anos!

(2)               Outra prova geológica evidente de que a Pedra de Dighton realmente rolou é verificarmos que as arestas ou cantos da Pedra apresentam-se polidos e arredodados devido à grande viagem...

(3)                Outra razão demonstrativa de que a Pedra de Dighton é imigrante, faz-se pela análise da sua composição geológica. A Pedra de Dighton é diferente  das outras pedras que existem nas margens  do Delta da Baía de Narraganset e que se deixam corroer  pelas águas das marés devido à sua composição xistosa. Ao contrário, a Pedra de Dighton é formada por granito muito rico em quartzo, mineral composto por  sílica, tornando-se assim resistente ao clima excessivo da Nova Inglaterra e aos efeitos nocivos das marés.

Se a  Pedra de Dighton -- que até 1963 esteve  mergulhada vinte horas por dia, entre a corrente pre-mar e da baixa-mar – tem composição diferente  das pedras circumvizinhas, é porque  emigrou, transportada  como grande bloco errático, e  parou de rolar na margem do Rio Taunton, arrastada  pelos grandes galciares da América do Norte.

Idades do gelo

 

Todos nós sabemos que tanto o polo norte (Ártico) como o polo sul (Antártico) estão cobertos de gelo com uma espessura incrível de mais de três quilómetros!

 

Há dez  mil anos a carapuça de gelo, ou calote glacial, no hemisféiro norte cobria todo o Canadá e os Estados Unidos até ao nível da cidade de Nova Iorque! Na Europa os glaciares ou camadas de gelo, cobriam todo o norte da Europa, a Inglaterra, a Europa Central, a França, Espanha e Portugal até ao nível  da cidade de Lisboa, e a metade setentrional de toda a Russia!

Exemplos convincente, do derreter do gelo há dez mila anos,  são os pedregulhos ou blocos enormes que existem na Alemanha vindos da Finlândia. Quem visitar  o norte de Portugal fica espantado com a abundância de rochedos enormes colocados no cimo dos cabeços dos montes na Serra do Marão ou nas Serras da Beira Alta. Quem os pôs lá?  As avalanches glaciares há dez mil anos!  A Serra de Estrela – a mais alta de Portugal, com dois quilómetros de altura – possue um grande vale – Vale Glacial --formado pelo deslocamento de gigantes massas de gelo  apenas há dez mil anos!

Períodos Glaciares

Os geologistas, ou cientistas que  estudam a terra, calculam que  ela já passou por  cerca de trinta Períodos Glaciares, ou de gelo, e cada um durou centenas de milhões de anos! Os Períoos Glaciares mais importantes -- existiram há 600 milhões de anos (Paleozóico); 250 milhões (Mezóico) – foi neste período que se deu o extermínio dos dinossauros – e o mais recente (Pleistoceno) que começou há um milhão  e quinhentos mil anos  e que durou até aproximadamente dez mil anos!

 

Durante as  épocas de glaciação  a água evaporada dos oceanos foi-se acumulando nas zonas frias em  forma de gelo, originando  uma DESCIDA do nível dos mares cerca  de 200 metros!

 

Todos os cientistas estão de acordo que teve de haver arrefecimentos  da atmosfera para originar as épocas de glaciação da terra. Qualquer  que seja as causas  elas devem ter interferido  com a chegada dos raios  solares  à terra.  Uns dizem que os  fenómenos  de arrefecimento se devem: (1) variações da actividade  solar;   (2) poeiras cósmicas; (3)  percentagem de gas carbónico e vapor de água na atmosfera.

 

Mas uma das teorias mais plausíveis foi aquela apresentada por Benjamim Franklin que diz que as erupções dos vulcões lançam muitos milhões de toneladas de cinzas para a atmosfera, criando uma nuvem gigantesca  e espessa àvolta da terra que durou muitos anos interferindo com os raios do sol e portano a terra arrefeceu o suficiente para originar os  períodos de glaciação.

 

Está a terra a aquecer?

Se está a aquecer,  estamos mal amanhados! A Humanidade  inteira  vai começar a rolar como aconteceu à Pedra de Dighton há dez mil anos!

 

Hoje a calote gelada da Gronelândi já  está a originar  avalanches que lançam no Mar do Norte icebergs, montanhas de gelo, que são um constante perigo para a navegação marítima.

 

Será este fenómeno é um sinal de que a terra está  de novo a aquecer? Se isso é  verdade os calotes de gelo que existem nos polos norte e sul  se se derreterem,  o nível dos oceanos àvolta do mundo SUBIRÁ  duzentos metros e isso quer dizer que todas as grandes cidades do mundo vão ficar submersas!!!

 

Quer dizer  também que a Pedra de Dighton no Estado de Massachusets, a  réplica em Lisboa (Belém)  e a réplica em  Oliveira de  Azeméis vão também ficar de baixo de água...  A única que ficará  fora da  água será a Réplica que está agora no pátio  da minha Biblioteca-Museu em Cavião, Vale de  Cambra, porque está a uma altitude de quinhentos  metros acima do nível  actual do  Oceano Atlântico!

 

Emigrantes e Imigrantes

O nosso povo confunde muitas vezes os termos emigrante  com e, e o imigrante com i. É muito fácil:  emigrante com e  é derivado da palavra ex + migrante. Ex quer dizer para fora. Portanto, nós quando saímos de Portugal, somos emigrantes com e.  Quando entramos nos Estados  Unidos  somos imigrantes com i porque a palava é  composta por  in + migrantes,  querendo  dizer que migramos  para  dentro.

Em 1511, quando Miguel Corte Real gravou as suas inscrições  na Pedra de Dighton, já a Pedra estaria coberta tantas horas diariamente pelas águas da marés? Julgo que sim! E ainda bem, pois foram as águas das marés que evitaram as inscrições   de serem destruidas  completamente pelos vandalismos humanos.

 

A Pedra de Dighton Imigrante – como nós imigrantes neste país -- tem passado  por muitas intempérides. Tem sido insultada, ultrajada com toda a espécie  de nomes derrogatórios, apedrejada, enlameada pelos esgotos – até lhe chegaram a urinar em cima ! – mas, resistiu com uma força indomável de imigrante  e hoje está colocada dentro de uma redoma de vidro! A Pedra de Digthon não é mais uma pedra qualquer. Agora é uma pedra preciosa!

Nós imigrantes, que vivemos no epicentro da Pedra de Dighton, temos também rolado muito, apanhado inúmeros trambolhões e por isso não somos  uns homens quaisquer. Pelo contrário, com a nossa experiência dura e glacial de imigrantes, sem receio absolutametne nenhum,  podemos afirmar forte e valentemente:  SOMOS MUITO MAIS HOMENS!

 

publicado por Instituto Globilíngua às 14:36
 O que é? |  O que é? | favorito

Dezembro 16 2010

Missa a Cavalo!
Por Manuel Luciano da Silva, Médico

 

Foi no primeiro de Março de 1160,  que Dom Gualdim  Pais, Grão-Mestre da Ordem dos Templários Portugueses, iniciou a construção do oratório principal, ou Charola de Tomar.

A Ordem dos Templários ajudou e continuou a ajudar muito o Primeiro Rei de Portugal não só na defesa mas também na conquista ao mouros.  Por isso o D. Afonso Henriques  doou grandes extensões de terreno e castelos aos Templários desde o Mondego até ao Tejo.

Além das armas e do manto branco com a Cruz Vermelha  dos Templários, uma das partes fundamentais da armadura dos  Templários era o cavalo.

“Se o cavalo  morria ao cavaleiro e este não podia obter outro, a Ordem comprometia-se a fornecer-lho ou a dispensá-lo até que ele pudesse adquirir um,  sem perda de categoria e honra para o Cavaleiro”.

Outro aspecto fundamental  do funcionamento dos Templários era montarem um cavalo,  em pares ou parelha, como podemos observar claramente no Emblema da Ordem.

Emblema da Ordem de Cristo

SIGILLUM   MILITVM  XPISTI 
Sinal Militar de Cristo

(Hoje observamos os automóveis policiais  com dois polícias  a fazer as suas patrulhas nas vila ou cidades...)

Por causa deste rito cavalar da Ordem dos Templários e  depois da  Ordem de Cristo , -- dois  cavaleiros montados no mesmo cavalo -- os cavaleiros  assistiam  à  missa montados e contíguos à   Charola.

Devemos notar que naquela época  as estruturas  dos outros edifícios à volta da Charola  ainda não existiam, como escadarias, etc.

Agora compreendemos porque é que os oitos arcos da Charola são tão altos.  Para permitirem aos Cavaleiros verem muito bem  o oratório da Charola e  também os santos colocados nos altares  entre os arcos da Charola.

Os Cavaleiros assistiam à missa a cavalo para estarem  sempre "em pé de guerra" pela ameaça  constante dos mouros.

Hoje a América continua  "em pé de guerra"  por causa da ameaça dos mouros...

Parece que em mais de 500 anos NADA  mudou no que diz respeito o mundo árabe  estar  a atacar e ameaçar o mundo cristão --> católico e protestante, no Mundo Ocidental!

 

Dos Templários para a Ordem de Cristo

Em 1312,  o Rei de França, Filipe o Belo, por meio de uma conspiração acabou com a Ordem dos Templários em França e conseguiu convencer o Papa Clemente V  a terminar com todos os Templários em toda a Europa  por meio da publicação da Bula ‘Regrans in Coelis’, em 1314.

Mas em Portugal,  o Rei D. Dinis,  com uma manobra diplomática, conseguiu convencer o Papa João XXII,   por meio da Bula ‘Ad ea Exquibis’ de 14 de Marco de 1319,   a transformar a Ordem dos Templários em Ordem de Cristo, mantendo os mesmos cavaleiros e os mesmos terrenos, mudando apenas a sede da Ordem de Tomar para Castro Marim,  no Algarve, para assim estarem mais perto dos mouros  que continuavam ainda localizados no sul da Espanha,  em Granada e evitar que eles reconquistassem Portugal.

Mas em 1356 a Ordem de Cristo voltou à casa mãe à ao Convento de Tomar.

De todas as negociações entre os Reis de Portugal e os vários Papas  resultou a vantagem  dos mestres das Ordens Portuguesas serem nomeados pelo Papa, dando o mestrado a membros da Família Real. O primeiro a receber este título foi o Infante D. Henrique como Governador e Administrador da Ordem de Cristo.

O Infante D. Henrique chegou mesmo  a construir, anexo  ao Convento  Tomar,  uma moradia palacial, da qual podemos ver ainda  hoje as  suas ruínas.

Foi dos cofres da  rica Ordem de Cristo que o Infante D. Henrique  tirou os dinheiros para custear as despesas dos Descobrimentos  e  para manter a sua Escola de Navegação, em Sagres.  Embora a Escola de Navegação fosse o próprio Infante D. Henrique, -- onde ele estivesse, estava a Escola --  à semelhança das Escolas Filosóficas   de Platão e de Aristóteles – o certo é que  o Infante veio  a morrer  perto  da Escola de Sagres, em 1460!

E ainda  hoje há infelizes em Portugal, que se dizem historiadores, afirmando  que não houve nenhuma Escola de Sagres!  Estes indivíduos  têm vivido, toda a vida,  à custa do erário português, mas aprece-me que são anti-patriotas.  Devem ser  mas é ateus e  comunistas!  Mas o comunismo já foi  há muito tempo pela retrete  abaixo!...

Devemos notar também que a Ordem de Cristo,  durante o comando do Infante D. Henrique,  tornou-se a Organização Militar  Religiosa mais poderosa do Reino de Portugal, tornado-se ao mesmo tempo muito querida dos Papas por  os Cavaleiros da Ordem de Cristo, tornados  Navegadores  espalharem  a Fé Cristã, na missão das Cruzadas do Ocidente.

 

Panorama Geral das Cruzadas do Oriente – Terra Santa

-- Primeira Cruzada – 1095 --  resultou na conquista de Jerusalém, ou Terra Santa.

-- As outras Cruzadas não foram realmente bem sucedidas e Jerusalém foi reconquistadas pelos árabes.

 

Panoramas Geral das Cruzadas do Ocidente --- Descobrimentos Portugueses para dilatar a Fé e o Império.

-- Antes da independência  de Portugal em 1139,  já os Templários  estavam em Braga.

Em 1147 -- com a conquista de Lisboa,  para o Afonso Henriques,   é  que os Templários Portugueses  realmente realizaram a primeira Cruzada do Ocidente.

  • Depois a expansão do Império Português com a dilatação a fé através da África e pelas ilhas do Atlântico.

  • O Papado começou a prestar muito mais atenção às Cruzadas do Ocidente porque eram muito mais prometedoras do que as Cruzadas do Oriente. Disto resultou um melhor entendimento entre os Reis de Portugal e o Papado.

publicado por Instituto Globilíngua às 13:45
 O que é? |  O que é? | favorito

mais sobre mim
Dezembro 2011
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
13
14
15
16
17

18
19
20
21
22
23
24

25
26
27
28
29
30
31


pesquisar
 
RSS
blogs SAPO